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rush rush 3

rush rush 3

Antes de qualquer coisa, essa terceira (e derradeira) edição de rush rush tem “Rush Rush”, música da Paula Abdul que toca ininterruptamente há quase 35 anos nas rádios de formato adulto-contemporâneo e que, se você também é ouvinte desse tipo de rádio, provavelmente não troca de estação quando começa.

Esse Volume 3 traz mais de uma hora e meia de canções com cara de rádio adulta, alternando vozes femininas e masculinas do começo ao fim, pensadas pra ouvir no meio do trânsito.

Falei da Paula Abdul logo de cara porque ela ajuda a definir uma nuance que diferencia essa edição das anteriores: aqui, o foco está um pouco mais nessas faixas que tocam há anos nesse tipo de rádio sem cansar. “Halo” (Beyoncé), “Mind Trick” (Jamie Cullum), “Everybody’s Changing” (Keane), “Thorn” (Natalie Imbruglia) e “Hazard” (Richard Marx) também entram nessa categoria.

Outro recurso típico das rádios adultas que usei mais aqui do que nas outras edições são as versões; elas ajudam a rejuvenescer gravações mais antigas.

Em tempo: a música do Texas (“Say What You Want”) mostra uma dificuldade que eu teria se trabalhasse como programador musical nesse tipo de rádio. Ia ser difícil não ouvir “when I get that feeling” e não querer colocar “Sexual Healing” na sequência, como fiz aqui.

rush rush 3 - Lado A
rush rush 3 - Lado B

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Especial: o fim da rádio Transamérica

Especial: o fim da rádio Transamérica

O dia 13 desse mês marcou o final da rádio Transamérica no formato que a consolidou, depois de quase 50 anos no ar.

Apesar de não ter mais um blog pra falar sobre rádio e TV, quero comentar essa mudança por aqui não só pelo momento histórico, mas também pela relação que isso tem com as mudanças na nossa forma de consumir rádio e música ao longo do tempo.

O começo austero

Como todas as primeiras FMs, a Transamérica nasceu com uma programação formal, sem locução ao vivo, direcionada ao público das classes A/B. Nessa época, ela não estava nem entre as dez emissoras mais ouvidas em São Paulo.

Leia matéria da revista Veja de 1984 sobre a ascensão do FM com ranking de audiência da época

Tesão e auge

Anúncio publicado na Folha de S. Paulo em 24 de setembro de 1987

Anúncio publicado na Folha de S.Paulo em 24 de setembro de 1987.
Reprodução
midiaclipping

Em 1985, à medida que o FM foi ganhando relevância e audiência, a Transamérica mudou de identidade visual e formato, trazendo locução ao vivo, interação com o público, humor, linguagem informal e programação musical de sucessos do momento, se aproximando do que concorrentes como Jovem Pan e Cidade faziam.

Esse formato foi executado com tanta competência e com tantas inovações pela Transamérica que, cinco anos depois, ela já era líder de audiência em São Paulo e inaugurava a primeira rede de rádios com transmissão simultânea via satélite para todo o país.

Divisão e descaracterização

Mas o raio não caiu duas vezes no mesmo lugar. O mercado seguiu mudando, com rádios do formato popular ganhando mais força no decorrer dos anos 90. A Transamérica, então, trouxe uma mudança que considero o começo do fim: dividiu a rede em três formatos, que eles chamavam de “portadoras”: Transamérica Light (adulto-contemporâneo), Transamérica Hits (popular) e Transamérica Pop (jovem – a rede principal).

Pop, Hits, Light: uma Transamérica, três formatos

Pop, Hits e Light: uma Transamérica, três formatos

O problema é que a rede Hits começou a canibalizar os outros formatos. Várias afiliadas, principalmente em cidades do interior, migraram de Pop pra Hits – em poucos anos, esse já era o formato de maior alcance. Mas as emissoras próprias em capitais de estado (leia: onde existem os maiores mercados e anunciantes) continuaram Pop. A única exceção foi em Belo Horizonte, Hits desde 2002.

Só que a Transamérica Pop, apesar de ser a rede principal, já não era a que tinha nem a maior cobertura e nem a maior audiência. 

A solução? Ampliar o espaço do futebol na grade da rede Pop, ao mesmo tempo que flexibilizava o modelo de transmissão via satélite, adaptando a programação musical de acordo com a realidade de cada cidade. Isso fez com que, por exemplo, Brasília tocasse mais rock e Salvador abrisse espaço para a axé music e pagode baiano, mesmo não sendo uma Transamérica Hits.

Tentativa de retomada

Em 2019, saem de cena as Transaméricas Hits e Light – essa última já sem nenhuma afiliada – e entra um novo formato, o jovem-adulto, como comentei em uma playlist meses atrás.

É claro que a relevância da antiga Transamérica Pop já não era a mesma e que muitas das afiliadas que migraram para a Transamérica Hits nos anos 2000 não continuaram com a marca nessa nova fase. A Transamérica até reinventava o formato clássico, mas sem a mesma força de antes.

Também não custa comentar que esse formato novo chegou, mas não chegou: o futebol já ocupava a maior parte da programação, e parte dessa nova fase ainda teve conteúdo da CNN Brasil todo dia pela manhã entre 2020 e 2023.

Em Curitiba, a Transamérica Light ainda ficou no ar como Light FM até 2021, quando foi substituída pela CBN.

O gato subiu no telhado

Em 2020, o banqueiro Aloysio Faria, dono da Rede Transamérica, morreu, e suas herdeiras diretas começaram a se desfazer do patrimônio – que, além da rádio, tinha as lojas C&C, o Banco Alfa, Teatro Alfa, os Hotéis Transamérica, os sorvetes La Basque e até a água Prata.

A primeira emissora própria da Transamérica a ser vendida foi a de Salvador, no ano passado, que se afiliou à Antena 1. Em fevereiro desse ano, o Grupo Camargo (das rádios Alpha, 89 e Disney) comprou o resto da rede. E colocou no ar a nova TMC – Transamérica Media Company.

Logo da TMC

Logo da TMC

Ao confirmar oficialmente a mudança para TMC, em entrevista à coluna da Mônica Bergamo na Folha, no final do mês passado, o novo dono, João Camargo, prometeu uma rádio disruptiva, com “umas 500 (!) afiliadas” pelo Brasil.

E o que isso tem a ver com o nosso consumo de música no rádio?

Antes de qualquer coisa, a gente precisa situar que a geração X (nascidos entre 1965 e 1980) cresceu ouvindo FM e os Millenials (nascidos entre 1981 e 1996) foram os últimos a ouvirem música no rádio antes de MP3, YouTube e streaming.

Daria pra criar uma rádio disruptiva e musical? Eu acredito que sim. Podiam, por exemplo, mirar nesse público que ouviu a Transamérica “número 1 via satélite e mais ouvida do Brasil” e apostar numa programação musical de clássicos e lados B do pop/rock dos anos 80 aos 2000 com uma plástica jovem, a mesma linguagem irreverente do auge e até com alguns nomes que marcaram a história da emissora na equipe. Era questão de ver qual a relação desse público com a marca hoje e que sentimentos guarda sobre aquela escuta de rádio que se tinha antes do streaming.

Só que o diferencial – e o foco – precisava estar numa coisa que já não funcionava muito bem nos últimos anos da Transamérica: a programação musical.

Já comentei em algumas playlists sobre o costume de evitar músicas excessivamente marcantes em rádios pensadas pra ouvir o dia inteiro – tem mais sobre aqui e aqui -, mas esse não precisava ser o caminho para a Transamérica. A programação poderia ser mais ousada, abraçar de verdade um público e não tentar agradar a gregos e troianos na mesma sequência.

Nos últimos dias de rede, por exemplo, numa mesma sequência que tocou “The Look of Love”, do ABC (um quase Lado B do começo dos anos 80), tocou um Pop atual voltado pra Geração Z. É legal misturar, apresentar música? Claro! Mas será que a maioria das pessoas que conhece uma coisa tá necessariamente disposta a conhecer a outra?

Ainda nesses últimos dias, o “Big Hits”, parada musical diária, colocou “Na Moral”, do Jota Quest, como segunda música mais pedida. Quem sou eu pra duvidar, mas quem sou eu pra acreditar?

Acredito que ainda existem formatos musicais a serem explorados no rádio, mesmo com a concorrência direta entre o streaming, onde a gente escolhe o que quer ouvir em tempo real. Que tal, por exemplo, uma programação com a marca da Transamérica e a cara da antiga Play FM, só que trocando Fábio Jr., Air Supply e É o Tchan por mais Depeche Mode, a-ha, Madonna, New Order, Daft Punk, Duran Duran, Information Society, Michael Jackson, Amy Winehouse, Lulu Santos, Rita e Roberto, Cássia Eller, Barão Vermelho com o Cazuza e, de repente, até um Jorge Ben Jor e Tim Maia pra dar uma surpreendida?

Com todo o respeito e carinho, mas não dá pra ficar numa coisa muito batida e muito morna ao mesmo tempo o tempo todo; não dá pra ser a rádio que toca o que o público NÃO procura no streaming porque já tá saturado.

Tá, mas é isso que se espera do rádio hoje?

Sinceramente, não sei se essa pergunta foi feita por alguém, mas também não tenho a resposta. Até eu, que adoro ouvir música em rádio, escuto música muito mais nos meus discos e playlists do que no rádio.

O fim da Transamérica é triste pelo desperdício da marca e, consequentemente, de parte da sua história, e também pela forma como isso foi feito: foram 13 dias entre a confirmação da mudança de nome e a estreia. Pra você ter uma ideia, até o dia em que tô postando esse texto, tem programação provisória com a marca Transamérica gerada pela matriz para as afiliadas que ainda não decidiram se migram ou não para a TMC.

Pra que tanta pressa? Por que não usar a própria rede pra divulgar o novo projeto e preparar uma transição mais suave? Ou pelo menos encerrar a rede ao mesmo tempo pra ter tempo de ter uma despedida, uma programação especial com reprises do “Estúdio ao vivo” e/ou versões exclusivas de músicas, que já foram marca registrada da rádio?

Apesar de tudo, não dá pra desconsiderar que a ideia da TMC possa estar mais alinhada com o que tem mais procura no rádio de hoje do que a Transamérica estava nos últimos anos. Se vai ser disruptiva ou tão inovadora quanto foi a antiga Transamérica em 1985, a gente só vai saber com o tempo.

A gente só sabe que as próximas mudanças vão acontecer num ritmo mais rápido do que foi até aqui.


Ouça a despedida de todos os locutores no último dia da Transamérica em rede

Ouça o momento de transição entre Transamérica e TMC


Ouça as playlists do Toca fitas baseadas em programação musical de rádio

A fita do Chaves

A fita do Chaves

Arrisco dizer que todos os brasileiros – ou pelo menos os da Geração Millenial – têm uma relação afetiva com todas as músicas da playlist de hoje.

Elas estão na dublagem brasileira clássica de “Chaves” e “Chapolin”, produzida para o SBT pelos Estúdios Maga entre 1984 e 1992, e uma das grandes responsáveis pelo sucesso das séries mexicanas por aqui.

O curioso é que essas músicas entraram por acaso, já que a Maga não fez só a dublagem, mas toda a adaptação de áudio das séries.

Hoje é padrão que cada elemento de áudio de uma produção audiovisual estrangeira (vozes, efeitos sonoros, músicas de fundo) ocupe um canal diferente de áudio; o resultado final é a junção de todos esses canais. Dessa forma, todo o áudio original, com exceção das vozes, pode ser aproveitado na dublagem.

Quando as primeiras fitas das séries chegaram no SBT, vieram com todo o áudio num único canal, fazendo com que a dublagem tivesse que reconstruir TUDO. E foi aí que escolheram as músicas que estão aqui.

Pra não dizer que todas estão no pacote da Maga, a primeira (“The Elephant Never Forgets”) foi usada como música de abertura na versão original; as demais são mérito da versão brasileira.

Em tempo: quero reforçar uma recomendação que também vale pra outra playlist, Moog circus: escute em situações do cotidiano. Tá no metrô? Esperando ônibus? Trabalhando? Andando por alguma rua de comércio popular? Esperando na fila pra entrar num ponto turístico mainstream? Põe pra tocar. Garanto que vai deixar qualquer situação mais colorida – ou, pelo menos, mais inusitada.

A fita do Chaves - Lado A
A fita do Chaves - Lado B

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Rádio relógio volume 2

Rádio relógio vol. 2

Há dois meses, postei aqui uma sequência radiofônica pensada pro começo de um dia útil e baseada nos flashbacks que tocam em emissoras do formato jovem adulto, como (ainda) é a Transamérica.

Hoje tem volume 2, e já adianto que tem um volume 3 quase pronto. Quando ele chegar, é bem possível que a Transamérica já não exista mais como conhecemos: a tradicional rede foi vendida no início do ano e, em breve, vai virar TMC e trocar o que ainda resta de música por esporte e notícias. Coincidentemente, a lista de hoje – que já tava pronta há um tempo – traz letras que orbitam por temas como tempo, memórias e escolhas.

Aliás, coincidência mesmo: a ideia aqui nem era explorar esses temas, mas trazer algumas gravações menos óbvias, ainda que com cara de rádio.

No fim, é isso: 1h30 de manhã com pop/rock anos 80/90, misturando nostalgia leve com energia solar.

Rádio relógio vol. 2 - Lado A
Rádio relógio vol. 2 - Lado B

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Mercado de música

Mercado de música

Eu podia só dizer que a playlist de hoje é pra ouvir na feira, mas não bem isso.

A ideia aqui é juntar um pedaço da diversidade de trocas comerciais bem brasileiras retratadas pela nossa música ao longo do tempo. Às vezes em tom metafórico, mas principalmente de forma literal, como se cada faixa te transportasse pra uma barraca diferente.

O Lado A começa com a gravação mais recente (2018) e termina com a mais antiga (1957), mas traz como recheio uma sequência de pérolas dos anos 60 a 80 que busca trazer um tom mais nostálgico, quase como um cheiro de feira de manhã.

Já o Lado B é mais barulhento, mais urbano, até meio caótico, mas sem perder a irreverência que sempre acompanha a bagunça de um bom mercado popular.

Mercado de música - Lado A
Mercado de música - Lado B

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