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Festa da firma bate cabelo

Festa da firma bate cabelo

É difícil uma playlist minha ser definida com tanta clareza pela junção do nome com a descrição como essa: Festa da firma bate cabelo – Pizza clássica com dois sabores: metade Márcia Pantera, metade Rei do Camarote.

Quem é ou já foi CLT tem muita chance de conhecer bem a instituição festa da firma. É aquele rolê que reune um pessoal muito diverso, incluindo gente que jamais frequentaria os mesmos lugares, com atrações igualmente variadas – e/ou desconexas – pra agradar a todos esses públicos. Onde eu trabalho, por exemplo, festa de fim de ano pode ter, ao mesmo tempo, karaokê, banda de formatura, chegada do Papai Noel, pista de dança e open bar. 

Nesse contexto, a programação musical também tenta encontrar um meio termo que agrade – ou pelo menos que seja familiar – a todo mundo.

E essa é a ideia aqui. Uma mistura de midbacks e flashbacks de vários gêneros de música eletrônica que alternam entre a festa de drags e as sete melhores da Jovem Pan. Pra animar as festas mais variadas.

Em tempo: Márcia Pantera é a drag precursora do bate cabelo no Brasil.

Em tempo (2): a capa traz outra drag, a Divine, em cena de “Pink Flamingos”, filme não recomendado a todo mundo que frequenta festa de firma.

Festa da firma bate cabelo - Lado A
Festa da firma bate cabelo - Lado B

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Dreaming weird

Dreaming weird

A playlist de hoje passeia pelo vaporwave e por gêneros similares que têm em comum a exploração da estética dos anos 80 e 90 como base para criações de paisagens sonoras etéreas, oníricas e, às vezes, meio perturbadoras.

A ideia nasceu logo que comecei a explorar o TikTok, numa época em que apareciam muitos vídeos de dreamcore (estética inspirada em sonhos, com cenários e situações surreais com uma pegada meio nostálgica, meio melancólica) e weirdcore (que é basicamente a mesma coisa, só que com foco em causar incômodo).

Nesses videos costumam aparecer espaços comerciais abandonados, corredores vazios e todo tipo de “não-lugar” em contextos bizarros – os vídeos de backrooms são um bom exemplo disso.

A primeira faixa (“aquatic ambience”) é um hit dos primórdios do TikTok e dá uma boa ideia do tom da seleção. O Lado A ainda traz samples de canções bastante conhecidas dos anos 70/80, como “(I’ll Never Be) Maria Magdalena”, da Sandra (em “Dillards”), “Too Shy”, do Kajagoogoo (em “virtual”), “Lady Lady Lady”, do Joe Exposito (em “late delight”) e “How Deep is Your Love”, dos Bee Gees (em “When Your”).

Essa é mais uma playlist maluca pra dormir, mas não só pra dormir.

Em tempo: ouvindo de fone é mais gostoso.

Dreaming weird - Lado A
Dreaming weird - Lado B

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Ziriguidum

Ziriguidum

A playlist de hoje junta música brasileira e internacional pela via do groove. Costura os anos 70 com reworks, edições, DJ culture, revival, neo-samba, nu-jazz e música eletrônica global, buscando criar unidade pela energia do balanço como linguagem – não como época.

O Lado A começa com Airto Moreira e termina com Célia, dois anos 70, mas o miolo é dominado por edições e reconstruções contemporâneas. A ideia é mostrar como o suingue brasileiro virou matéria de remix, pista e diáspora musical. Começa orgânico, passa por beats e volta pra fonte.

O Lado B faz o caminho inverso. Abre com um rework (Gilberto Gil), desce para os 70 e 80 (Doris Monteiro, Banda Black Rio, Elza Soares, Emílio Santiago, Lincoln Olivetti & Robson Jorge, Azymuth) e fecha com um instrumental mais atual que mantém a lógica.

No todo, a playlist diz que o suingue atravessa décadas e formatos. Não é uma lista retrô nem moderna: é uma conversa entre tudo isso.

Ziriguidum - Lado A
Ziriguidum - Lado B

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Caçador de marajás

Caçador de marajás

A playlist de hoje é minha, mas o repertório, não.

Quando vi a série documental “Caçador de Marajás”, do Globoplay, não pude deixar de notar como o uso de músicas de sucesso dos anos 60 aos 90 trouxe um “molho” que me prendeu ainda mais na história.

Pra quem ainda não viu, a série tem sete episódios narrando, de forma cronológica, com depoimentos de FHC a Leleco Barbosa (“porra… porra!”) e com um vasto material de arquivo, a trajetória do ex-presidente Fernando Collor desde antes da eleição como governador de Alagoas até o impeachment como primeiro presidente eleito pelo voto direto depois de 21 anos de ditadura.

A história é bem mais interessante que a sinopse – se você ainda não viu, recomendo muito -, mas o foco aqui é na trilha sonora.

Procurei colocar na playlist as músicas mais ou menos na ordem em que apareceram nos episódios – não rigorosamente, mas no sentido de reconstruir a narrativa de ascensão e queda que o uso das músicas reforça na série.

A mistura de estilos tão diversos que chegam a ser antagônicos e muitas vezes na sequência, como em algumas trilhas de novela, ajuda a viajar até o Brasil da segunda metade do século XX de um jeito bem gostoso. E a capa, inspirada no leiaute das capas de fita das trilhas de novelas da Globo, também.

Caçador de marajás - Lado A
Caçador de marajás - Lado B

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rush rush 3

rush rush 3

Antes de qualquer coisa, essa terceira (e derradeira) edição de rush rush tem “Rush Rush”, música da Paula Abdul que toca ininterruptamente há quase 35 anos nas rádios de formato adulto-contemporâneo e que, se você também é ouvinte desse tipo de rádio, provavelmente não troca de estação quando começa.

Esse Volume 3 traz mais de uma hora e meia de canções com cara de rádio adulta, alternando vozes femininas e masculinas do começo ao fim, pensadas pra ouvir no meio do trânsito.

Falei da Paula Abdul logo de cara porque ela ajuda a definir uma nuance que diferencia essa edição das anteriores: aqui, o foco está um pouco mais nessas faixas que tocam há anos nesse tipo de rádio sem cansar. “Halo” (Beyoncé), “Mind Trick” (Jamie Cullum), “Everybody’s Changing” (Keane), “Thorn” (Natalie Imbruglia) e “Hazard” (Richard Marx) também entram nessa categoria.

Outro recurso típico das rádios adultas que usei mais aqui do que nas outras edições são as versões; elas ajudam a rejuvenescer gravações mais antigas.

Em tempo: a música do Texas (“Say What You Want”) mostra uma dificuldade que eu teria se trabalhasse como programador musical nesse tipo de rádio. Ia ser difícil não ouvir “when I get that feeling” e não querer colocar “Sexual Healing” na sequência, como fiz aqui.

rush rush 3 - Lado A
rush rush 3 - Lado B

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