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L-O-V-E

L-O-V-E

Standards. Música de vó. Música de uma vó rica idealizada – não tive a vó rica real. Trilha de fundo de jantar de Natal na casa dessa vó rica idealizada. A linha tênue entre “tempo bom que não volta mais” e canções de uma época em que o mundo normalizava alguns tipos de violência que não normaliza mais.

Toda música, como tudo na vida, pode levar a várias discussões sobre tanta coisa, desde pra quem era direcionada – e pra quem não era – até as perigosíssimas comparações entre um passado utópico e o momento atual.

Por mais que eu adore uma diversidade enorme de música antiga, sempre fiz questão de não misturar as estações. Talvez por isso nunca tenha postado uma playlist dessas músicas românticas essenciais e atemporais. Ou talvez não, só nunca tenha pensado mesmo.

O fato é que têm músicas que todo mundo conhece e que sobrevivem por décadas. E que, pra além de qualquer discussão política bem-vinda, sobrevivem por tantas décadas porque são boas. E viram clássicos.

O texto divaga porque a lista é autoexplicativa: são clássicos.

L-O-V-E - Lado A
L-O-V-E - Lado B

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Rádio relógio x3

Rádio relógio x3

Hoje tem a terceira edição de Rádio relógio, playlist que encerra essa série ensolarada que emula a programação matinal de uma rádio jovem-adulto-contemporânea.

Ouça também:
Rádio relógio
Rádio relógio volume 2

Assim como nas outras duas listas, a ideia é não pesar a mão na nostalgia e misturar faixas muito conhecidas com outras que têm tocado pouco até nesse tipo de rádio.

O começo é mais luminoso e dançante, indo de David Bowie a No Doubt, passando por curvas menos esperadas como General Public e Apache Indian (um trecho que, inclusive, foi pensado no ônibus, a caminho do trabalho).

Na segunda metade, o clima abre para um pop mais melódico e de estrada, com Electronic, Fleetwood Mac, CAKE e Blues Traveler. Aqui a conversa é com outra série recente de três listas, rush rush: música para ouvir em trânsito, mas agora numa versão mais voltada para o começo do dia.

O final devolve o protagonismo ao sintetizador (Depeche Mode no início dos anos 80) e fecha com o humor safadinho de “I Touch Myself”.

Sem grandes pretensões, a proposta é encerrar a série com mais 1h30 de música gostosa de ouvir logo de manhã – o que não deixa de ser uma pretensão.

Rádio relógio x3 - Lado A
Rádio relógio x3 - Lado B

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Festa da firma bate cabelo

Festa da firma bate cabelo

É difícil uma playlist minha ser definida com tanta clareza pela junção do nome com a descrição como essa: Festa da firma bate cabelo – Pizza clássica com dois sabores: metade Márcia Pantera, metade Rei do Camarote.

Quem é ou já foi CLT tem muita chance de conhecer bem a instituição festa da firma. É aquele rolê que reune um pessoal muito diverso, incluindo gente que jamais frequentaria os mesmos lugares, com atrações igualmente variadas – e/ou desconexas – pra agradar a todos esses públicos. Onde eu trabalho, por exemplo, festa de fim de ano pode ter, ao mesmo tempo, karaokê, banda de formatura, chegada do Papai Noel, pista de dança e open bar. 

Nesse contexto, a programação musical também tenta encontrar um meio termo que agrade – ou pelo menos que seja familiar – a todo mundo.

E essa é a ideia aqui. Uma mistura de midbacks e flashbacks de vários gêneros de música eletrônica que alternam entre a festa de drags e as sete melhores da Jovem Pan. Pra animar as festas mais variadas.

Em tempo: Márcia Pantera é a drag precursora do bate cabelo no Brasil.

Em tempo (2): a capa traz outra drag, a Divine, em cena de “Pink Flamingos”, filme não recomendado a todo mundo que frequenta festa de firma.

Festa da firma bate cabelo - Lado A
Festa da firma bate cabelo - Lado B

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Dreaming weird

Dreaming weird

A playlist de hoje passeia pelo vaporwave e por gêneros similares que têm em comum a exploração da estética dos anos 80 e 90 como base para criações de paisagens sonoras etéreas, oníricas e, às vezes, meio perturbadoras.

A ideia nasceu logo que comecei a explorar o TikTok, numa época em que apareciam muitos vídeos de dreamcore (estética inspirada em sonhos, com cenários e situações surreais com uma pegada meio nostálgica, meio melancólica) e weirdcore (que é basicamente a mesma coisa, só que com foco em causar incômodo).

Nesses videos costumam aparecer espaços comerciais abandonados, corredores vazios e todo tipo de “não-lugar” em contextos bizarros – os vídeos de backrooms são um bom exemplo disso.

A primeira faixa (“aquatic ambience”) é um hit dos primórdios do TikTok e dá uma boa ideia do tom da seleção. O Lado A ainda traz samples de canções bastante conhecidas dos anos 70/80, como “(I’ll Never Be) Maria Magdalena”, da Sandra (em “Dillards”), “Too Shy”, do Kajagoogoo (em “virtual”), “Lady Lady Lady”, do Joe Exposito (em “late delight”) e “How Deep is Your Love”, dos Bee Gees (em “When Your”).

Essa é mais uma playlist maluca pra dormir, mas não só pra dormir.

Em tempo: ouvindo de fone é mais gostoso.

Dreaming weird - Lado A
Dreaming weird - Lado B

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Ziriguidum

Ziriguidum

A playlist de hoje junta música brasileira e internacional pela via do groove. Costura os anos 70 com reworks, edições, DJ culture, revival, neo-samba, nu-jazz e música eletrônica global, buscando criar unidade pela energia do balanço como linguagem – não como época.

O Lado A começa com Airto Moreira e termina com Célia, dois anos 70, mas o miolo é dominado por edições e reconstruções contemporâneas. A ideia é mostrar como o suingue brasileiro virou matéria de remix, pista e diáspora musical. Começa orgânico, passa por beats e volta pra fonte.

O Lado B faz o caminho inverso. Abre com um rework (Gilberto Gil), desce para os 70 e 80 (Doris Monteiro, Banda Black Rio, Elza Soares, Emílio Santiago, Lincoln Olivetti & Robson Jorge, Azymuth) e fecha com um instrumental mais atual que mantém a lógica.

No todo, a playlist diz que o suingue atravessa décadas e formatos. Não é uma lista retrô nem moderna: é uma conversa entre tudo isso.

Ziriguidum - Lado A
Ziriguidum - Lado B

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