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O Brasil não é só verde anil amarelo

O Brasil não é só verde anil amarelo

A playlist de hoje estava programada para a volta do Toca fitas, depois desse hiato de quase dois anos. A trilha de carnaval da Casa Lúpulo antecipou e me ajudou a parar de adiar.

Resumidamente, parei de fazer playlist nesses dois anos tão atípicos pra todo mundo porque, lá no começo da pandemia e com mais da metade desse governo pela frente, pensar em música me fazia debruçar sobre o que a gente estava vivendo, com todo o medo e a incerteza que eram ainda maiores naquele momento. E isso não estava me fazendo bem.

Gastei boa parte de 2020 fazendo reforma em casa – uma forma de criar perspectiva positiva para um futuro de longo prazo, longe de pandemia – e 2021 cuidando dos problemas que ficaram em casa depois da reforma, num futuro que eu não tinha pensado em 2020: casa pronta, pandemia piorada. E 2021 ainda foi um ano intenso, difícil, cheio de coisas acontecendo.

Mas senti falta do Toca fitas e comecei a fazer playlist de novo, bem aos poucos, sem obrigação de postar. E pensar sobre música voltou a me fazer bem.

Volto com menos pretensões, postando muito mais porque me faz bem do que por vontade de reconhecimento. Se fizer bem pra mais alguém, fico feliz porque faço com amor. Se não, já está fazendo bem pra mim.

Essa despretensão faz com que eu escreva um texto desse tamanho sem me preocupar com o fato dele talvez não ser lido por ninguém, mas também me faz abraçar o meu “recorte”. Não preciso conhecer tudo, gostar de tudo, estar por dentro de tudo. Tenho minhas preferências, meu jeito de contar histórias com as músicas que eu escolho, e posso brincar mais com tudo isso.

A lista de hoje é pra tocar uma coisa que eu adoro: Brasil fazendo música com cara de Brasil e falando de Brasil. E o Brasil não é se resume a essa apropriação verde-amarela provisória feita por gente reacionária, maldosa, preconceituosa, orgulhosa de ser ignorante.

Falta muita gente? Óbvio! É só uma playlist, um convite pra ouvir música boa e pensar um pouco sobre o nosso país com otimismo. Aqui tem um desses “recortes” meus, além de algumas coisas que gosto de colocar nas playlists que faço: letras que se conversam, transições graduais entre ritmos diferentes e essa tentativa de criar uma unidade usando músicas de artistas e álbuns diferentes.

Em tempo: era pra ter 35 músicas, terminando com o ufanismo do Benito di Paula, que repudiou o uso de “Tudo Está no Seu Lugar” por deputado do MDB em 2017 e que não compôs paródia homenageando o presidente que sai no final do ano pra nunca mais voltar. Mas resolvi manter as últimas cinco músicas porque achei que elas formaram uma sequência coerente entre si.

Em tempo (2): desliga o shuffle pelo menos na primeira vez que ouvir. Fica melhor! 🙂

O que tem?

Caetano Veloso – Meu Coco (2021)
Chico Buarque – Paratodos (1993)
Fafá de Belém – Raça (1977)
Nadinho da Ilha – Cabeça Feita (1977)
Alcione – Figa de Guiné (1972)
João Bosco – Nação (1982)
Dorival Caymmi – Eu Não Tenho Onde Morar (1960)
Leci Brandão – Bate Tambor (1991)
Olodum – Revolta Olodum (1989)
Ramiro Musotto – Gwyra Mi (2006)
Illy – Querelas do Brasil (2020)
Caetano Veloso – Pipoca Moderna (1975)
Gilberto Gil – Geleia Geral (1967)
Carlinhos Brown, Marisa Monte – Seo Zé (1996)
Orquestra Brasileira de Música Jamaicana – O Guarani (2010)
Os Paralamas do Sucesso – Outra Beleza (1996)
Arranco de Varsóvia – Força da Imaginação (2006)
Martinho da Vila – Sempre a Sonhar (1984)
Chico Buarque – Vai Passar (1984)
Clara Nunes – Feira de Mangaio (1979)
Luiz Gonzaga – O Fole Roncou (1974)
Maria Bethânia – Festa (1975)
Alceu Valença – Pelas Ruas Que Andei (1982)
Cila do Coco – Movimento da Cidade (1997)
Siba – Toda Vez Que Eu Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar (2007)
Lia de Itamaracá – Eu Sou Lia: Minha Ciranda, Preta Cirandeira (2000)
João do Vale, Amelinha – Estrela Miúda (1981)
Caetano Veloso – Cajuína (1979)
Sá & Guarabyra – Sobradinho (1977)
A Cor do Som – Abri a Porta (1979)
Gilberto Gil – Lente do Amor (1981)
Bossacucanova, Cris Delanno – Balança – Não Pode Parar! (2018)
Trio Mocotó – Os Orixás (2001)
Jorge Ben Jor – Eu Vou Torcer (1974)
Benito di Paula – Charlie Brown (1974)

Alcione – Pra Que Chorar (1977)
Luiz Melodia – Congênito (1976)
Gal Costa – Presente Cotidiano (1973)
Marisa Monte, David Byrne – Statue of Liberty (2006)
Os Mutantes – Ando Meio Desligado (1969)

Toca aqui:

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Carnaval da Casa Lúpulo

Carnaval da Casa Lúpulo

Eu juro que queria voltar com o Toca fitas, que teve playlists semanais entre 2014 e meados de 2020, com um conteúdo além de texto explicando porque eu parei, quando e porque quis voltar, o que fiz e o que não fiz enquanto não estive por aqui e o que muda daqui pra frente. Tenho até uma playlist pronta pra essa volta.

Mas, entre as coisas que aconteceram nesse período, surgiu a Casa Lúpulo, bar que a minha família abriu na Vila Buarque (centro de São Paulo) e que, com adaptações de formato, era sonho há anos. E surgiu carnaval e o pedido da minha irmã de fazer uma trilha sonora pra tocar nos dias de carnaval enquanto o bar estiver aberto.

E foi o que eu fiz. E estou voltando aqui, do nada, com uma playlist de 200 músicas. Mais de 11 horas de repertório que vão tocar na Casa Lúpulo nesse carnaval 2022 e que eu quis compartilhar com quem quiser tocar em qualquer outro dia e lugar.

Apesar de ser gigante, é uma playlist construída como se fosse pequena, com blocos temáticos, músicas que fazem referência uma a outra na sequência, evitando letras problemáticas e transitando de forma gradual entre vários gêneros.

Pra não ficar só um listão de 200 músicas, vou separar em blocos que ajudam a explicar essa construção sem que eu tenha que fazer mais textão. Também estou deixando a lista de músicas numa página separada pra você não ficar rolando tela infinitamente sempre que cair aqui.

Clique aqui para ver a lista das músicas e os blocos temáticos

E é isso. O Toca fitas tá de volta!

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Em tempo: a Casa Lúpulo fica na Rua Major Sertório, 282, Vila Buarque – São Paulo/SP.

Jabuticaba

Jabuticaba

A lista de hoje foi feita sobre o repertório que eu escolhi pro “Jabuticaba”, meu programa de música brasileira na Rádio Laranjeira, que estreia – ou estreou – no próximo domingo, 24/05.

A ideia do programa é mostrar um pouco da diversidade de sons da música brasileira. Mas vou fazer do jeito que eu mais gosto: com cara de festa, até porque acredito que a gente tá precisando lembrar de coisas que fazem a gente gostar do Brasil e de ser brasileiro – e a música é uma delas.

Pra tentar representar essa diversidade por aqui, resolvi colocar nesta lista algumas canções que aparecem pouco ou que nunca apareceram em outras listas. Têm exceções? Lógico, termino com “Tô Voltando”, clássico do Maurício Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro imortalizado na voz da Simone, e coloquei a versão original de “Saúde”, da Rita Lee.

No vídeo eu falo mais sobre o programa e sobre como foi a escolha de repertório para o programa.

O que tem?

Ivan Lins – Abre Alas (1974)
Gal Costa – Meu Nome é Gal (1979)
Los Sebosos Postizos – Quero Esquecer Você (2012)
DUDA BEAT – Bédi Beat (2018)
Barão Vermelho – Eclipse Oculto (1989)
Djavan – Lilás (1984)
Mariana Aydar – Caraíva-Trancoso (2018)
Mestre Ambrósio – Coqueiros (2001)
Zé Ramalho – Avôhai (1978)
Marisa Monte – Magamalabares (1996)
Alceu Valença – Estação da Luz (1985)
Bárbara Eugênia (part. Junio Barreto) – Sintonia (2017)
Paulinho Boca de Cantor (part. Davi Moraes) – Vestido de Prata (ao vivo) (2004)
Luiz Caldas – Ajayô (1986)
Belô Velloso – Por Te Querer (1999)
MC Tha – Coração Vagabundo (2019)
Gonzaguinha – Lindo Lago do Amor (1984)
Rita Lee – Saúde (1981)
Los Hermanos – Corre Corre (2019)
Claudya – Com Mais de 30 (1971)
Chico Buarque – Sem Compromisso (1974)
Elis Regina – Vou Deitar e Rolar (Quaquaraquaquá) (1970)
Ney Matogrosso – Vida, Vida (1981)
Johnny Hooker – Caetano Veloso (2017)
Fafá de Belém – Filho da Bahia (1975)
Trio Elétrico Dodô e Osmar – Depois que o Ilê Passar (1987)
Alcione – Ilha de Maré (1977)
Céu – Minhas Bics (2016)
Tim Maia – Tudo Vai Mudar (1980)
Marina Lima – Eu Te Amo Você (1985)
Tom Zé – Conto de Fraldas (1984)
Márcia Castro – Frevo (Pecadinho) (2007)
Maria Alcina – Kid Cavaquinho (1974)
João Bosco (part. Aldir Blanc) – O Mestre Sala dos Mares (1975)
Simone – Tô Voltando (1979)

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Maracugina

Maracugina

ATUALIZADA EM MAIO/2020: meu computador voltou e eu vi que tinha um rascunho com outras duas músicas essenciais que eu não tinha incluído na primeira versão. Agora são 22 músicas, com reprise do Gilberto Gil.

O nome da lista pode não ser dos melhores, apesar de lembrar do inofensivo (?) calmante vintage que tinha o Juca de Oliveira na propaganda de televisão e que todo mundo de certa idade associa à ideia de calma. Eu, pelo menos, associo. Mas garanto que tem muita música boa.

Falo da lista de músicas e das motivações pra várias delas no vídeo.

Em tempo: Chopin! Tem até em episódio do Chapolin!

Em tempo 2: sou ruim de música erudita, mas pior ainda de matemática. A lista tem 20 músicas, não 21.

O que tem?

Novos Baianos – Acabou Chorare (1972)
Marisa Monte (part. Rodrigo Amarante e Devendra Banhart) – Nu Com a Minha Música (2011/2016)
Caetano Veloso – Oração ao Tempo (1979)
Gal Costa – Força Estranha (1979)
Milton Nascimento – Clube da Esquina nº2 – Acústico (2018)
Maria Bethânia – Tocando em Frente (1989)
The Beatles – Let it Be (1970)
Gilberto Gil – Aqui e Agora (1977)
Mahmundi – Eu Quero Ser o Mar (2018)
Paulinho Moska (part. Jorge Drexler) – A Idade do Céu (2003)
Corinne Bailey Rae – Put Your Records On (2006)
Thalma Freitas – Tranquilo (2004)
Secos & Molhados – Prece Cósmica (1973)
Sagrado Coração da Terra – Paz (1990)
Flávio Venturini – Noites com Sol (1994)
Elis Regina – Quero (1976)
Sá & Guarabyra – Marimbondo (1977)
Gilberto Gil – A Paz (ao vivo) (1994)
Frédéric Chopin, Luis Fernando Perez – Nocturne en mi bémol majeur opus 9 nº2: Ballade en Sol Mineur No.1 (2010)
The Beatles – Blackbird (1968)
Caetano Veloso – Nine Out of Ten (1972)
Moby (feat. Wayne Coyne) – The Perfect Life (2013)

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Dançar pra não dançar

Dançar pra não dançar

A lista de hoje é uma festa de música brasileira que eu gosto pensada pra esse momento e nesse momento em que a gente tá vivendo.

Tem o porque de cada faixa no vídeo:

Em tempo: Zé Pedro fez live com Gaby Amarantos. Dessa vez eu vi o vídeo não editado, sei lá de onde eu tirei essa live com Preta Gil – que foi a única das três que eu não vi. Não vejo a hora do meu computador voltar! 😬

O que tem?

Rita Lee & Tutti-Frutti – Dançar Pra Não Dançar (1975)
Marina Lima – Fullgás (1984)
Mahmundi – Sem Medo (2020)
Pitty – A Menina Dança (2015)
Novos Baianos – Besta é Tu (1972)
Roberta Sá – Pelas Tabelas (2005)
Criolo – Linha de Frente (2011)
João do Vale (part. Amelinha) – Estrela Miúda (1981)
Ednardo – Enquanto Engoma a Calça (1979)
Banda Seu Chico – Caçada / Não Sonho Mais (ao vivo) (2011)
Maria Bethânia – Baioque (1972)
Gilberto Gil – Palco (1981)
Tim Maia – Dance Enquanto é Tempo (1976)
Eddie (part. Karina Buhr) – O Baile de Betinha (2008)
Martinho da Vila – Visgo de Jaca (1974)
Céu – Forçar o Verão (2019)
Pedro Luís & A Parede – Caio no Suingue (1997)
Jorge Ben Jor – Take It Easy, My Brother Charles (1969)
Caetano Veloso – Não Enche (1997)
Cássia Eller – Gatas Extraordinárias (1999)
Barão Vermelho – Posando de Star (1982)
DUDA BEAT – Deixa Eu Te Amar (2019)
Otto – Exu Parade (2012)
Fafá de Belém – Emoriô (Remix DJ Zé Pedro e Ubunto) (2020)
Moraes Moreira – Chão da Praça (1979)
Daniela Mercury – Santa Helena (2000)
Olodum – I Miss Her (1995)
Rodrigo Amarante – Maná (2013)
Trupe Chá de Boldo – Smex Smov (2015)
Mahmundi – Sangue Latino (2020)

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