Hoje tem mais uma seleção com cara de rádio adulta, pensada pra te salvar do tédio em momentos de trânsito parado – se você ainda não ouviu o Volume 1, recomendo também!
Esse volume 2 transita mais entre décadas, misturando um pop elegante meio dançante dos anos 80 e 90 (tanto de clássicos pop quanto de faixas que talvez você não escute faz tempo – ainda mais no rádio) com gravações mais recentes que seguem a mesma linha.
Continuam a alternância entre vozes femininas e masculinas do começo ao fim da playlist e a tentativa de ser familiar sem ser batida e leve sem ser melosa.
Quando eu postava playlists mais longas que a duração de uma fita, usava as pequenininhas, com dez músicas, pra explorar um tema específico. Essa é a primeira com Lado A e B: são 35 minutos de música brasileira sobre desapego material.
E já que agora são dois lados, o Lado A é mais direto, celebrando com leveza a simplicidade e a felicidade que não tem relação com dinheiro, enquanto o Lado B varia entre a ironia e a crítica, trazendo o tema do desapego numa visão mais ácida.
Texto curto pra uma fita curtinha, que dá pra ouvir numa lavada de louça só!
A playlist de hoje é uma maluquice: uma hora de músicas divertidas feitas para sintetizadores Moog.
Moog é a marca dos primeiros sintetizadores analógicos comerciais, fabricados entre 1965 e 1981. Mas, mais do que a marca, os instrumentos projetados pelo engenheiro estadunidense Robert Moog foram responsáveis por popularizar a música eletrônica, que até então era feita de forma ainda mais experimental do que o que você vai ouvir aqui.
O Moog já foi usado para soar cósmico, psicodélico, progressivo. Mas a graça desta seleção é outra: faixas que parecem caricaturas sonoras e trazem aquele clima do episódio do Chaves no parque de diversões. (Aliás, falando no Chaves, as músicas instrumentais usadas na dublagem brasileira da série só não entraram aqui porque vão ganhar uma playlist exclusiva).
A maior parte das gravações vem dos anos 60 e 70, quando a sonoridade do sintetizador ainda era novidade, mas a viagem vai até 2023 – prova de que essa “brincadeira com o Moog” não ficou presa ao passado e continua atravessando gerações.
A base do repertório é formada por pioneiros como Jean-Jacques Perrey e Gershon Kingsley, mas o Brasil também está presente, com destaque para Renato Mendes e faixas de “Electronicus”, álbum de 1974 que repensa sucessos populares brasileiros em linguagem eletrônica.
Dica final: fica bizarramente interessante como música de fundo em dia de trabalho.
Fim de noite, 2023. “Sozinho em casa, uns vinho na cabeça”. Comecei a ver clipes com estética extremamente datada de hits românticos do mesmo naipe. Antes de dormir, voltei no histórico do YouTube, anotei num bloco de notas o que tinha visto e salvei com esse não-nome – depois eu escolheria outro.
O rascunho ficou numa pasta de playlists que eu preparava pra última reformulação visual daqui e que acabei não postando na época. (Falo mais sobre isso no post de Fluoxetinianas, outra playlist daquele ano que ficou na gaveta.)
Ainda em 2023, gravei algumas fitas k-7 pra ouvir em casa, e uma delas foi com essa sequência que eu adoro repetir. E que continuou sem nome!
Depois de tanto tempo, o título daquele bloco de notas conseguiu um usucapião e ganhou a capa óbvia: uma combinação de folhas e arabescos em dourado sobre fundo sóbrio – uma coisa meio pomposa, meio cafona de alguns rótulos de vinhos de supermercado que tanto combina quanto contrasta com a bagaceirice deliciosa do repertório.
Reprises de Debbie Gibson e New Kids On The Block.
Em tempo: além do YouTube Music, hoje tem playlist com os clipes no YouTube. A experiência audiovisual deixa tudo ainda mais gostoso.
A playlist de hoje começou a ser construída a partir do nome, que veio de uma divagação. Queria uma trilha sonora que representasse a “função simbólica” dessa roupa que se usa num dia que não tá nem tão quente pra sair sem blusa e nem tão frio pra colocar um casaco pesado. Esse meio termo que acolhe, mas que não limita movimento e nem esquenta demais.
Apesar dessa viagem, a escolha do repertório foi bem despretensiosa. E, mesmo assim, calhou de praticamente todas as letras falarem sobre o tempo – seja na forma de amadurecimento, saudade, mudança ou aceitação – e de tudo estar envolto numa atmosfera de calma, com arranjos e interpretações mais contidos.
Música brasileira é a maioria, mas vez ou outra tem algum gringo aparecendo. E foi aí que tive a única “preocupação” da lista: misturar esse povo como se todos estivessem num mesmo álbum, na mesma época e falando a mesma língua.
Reprises de Ney Matogrosso, Herbert Vianna, Paulinho Moska e Marisa Monte.