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Baianidade nagô

Baianidade nagô

Que eu adoro a música da Bahia não é novidade. Até a motivação pra estudar Programação Musical veio de duas playlists que eu fiz pra ouvir na Bahia, numa viagem que fiz em 2013 – juntei as duas numa Saudade da Bahia por aqui.

Tenho outra lista daquela axé music que fez muito sucesso em rádio nos anos 90 e que eu já gostava muito naquela época, Micareta. Nessa incluí até alguns artistas como o Netinho, que eu confesso que teria preguiça de encaixar numa playlist mais recente – às vezes a pessoa física fica tão associada a rolês errados que fica difícil separar o artista da obra -, mas mantenho na Micareta porque ela tem essa proposta de retratar esse momento do axé como fenômeno radiofônico nacional. E todo mundo que tá ali foi muito importante, fez sucesso e gravou coisas que gosto de ouvir.

Mas essa aqui era uma pendência antiga pra mim: uma seleção que abrangesse um pouco mais da diversidade de ritmos afro-baianos e que exaltasse, além do carnaval, ancestralidade, religiosidade e questões sociais, presentes nas letras desde sempre.

A lista começou a nascer quando vi o documentário da Netflix, “Axé – Canto do Povo de Um Lugar”; depois, descobri a Axé Bahia, web-rádio de Salvador que prioriza os clássicos de quando o axé ainda não era um fenômeno nacional; por último, veio um texto do Mauro Ferreira sobre o livro do Luciano Matos, “O Canto da Cidade – da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury”, que fala sobre um branqueamento da axé music a partir do segundo álbum da Daniela Mercury e que reforçou a playlist já praticamente pronta.

Em tempo: de acordo com o texto do Mauro Ferreira, o próprio livro reconhece “o engajamento real de Daniela Mercury na causa do povo negro da Bahia e a valorização sincera dos blocos afros pela artista”. Então, não pensei nem meia vez em não colocar músicas dela, mas já estavam selecionadas faixas que enaltecem os blocos. O reforço foi na ideia de fazer uma lista não embranquecida.

São 51 músicas. 3 horas e 10 minutos. E tá facinho de ouvir até o fim.

E é isso. Teve textão, tem listão.

O que tem?

Caetano Veloso – Milagre do Povo (1985)
Maria Bethânia – Reconvexo (1989)
Gerônimo Santana – É D’Oxum (1997)
Margareth Menezes – Uma História de Ifá (Ejigbô) (1988)
Bamdamel – Protesto do Olodum (1988)
Olodum – Revolta Olodum (1989)
Banda Reflexu’s – Madagascar Olodum (1987)
Caetano Veloso – Meia Lua Inteira (1989)
Bamdamel – Baianidade Nagô (1991)
Timbalada – Toneladas de Desejo (1995)

Olodum – Alegria Geral (1994)
Ara Ketu – Alegria da Cidade (ao vivo) (1999)
Banda Eva – We Are The World of Carnaval (ao vivo) (2007)
Armandinho e Trio Elétrico Dodô e Osmar, Caetano Veloso, Moraes Moreira – Chame Gente (1985)
Olodum – Nossa Gente (Avisa Lá) (1992)
Timbalada – Toque de Timbaleiro (1993)
Margareth Menezes – Faraó Divindade do Egito (Natureza Egípcia) (2018)
Didá Banda Feminina – Didá de Salvador (1997)
Daniela Mercury – Força do Ilê (ao vivo) (2006)
Bamdamel – Olodum Pra Balançar (ao vivo) (2006)

Banda Reflexu’s – Alfabeto do Negão (ao vivo) (1990)*
Gerônimo Santana – Eu Sou Negão (1986)
Olodum – Salvador Não Inerte / Ladeira do Pelô (1987)
Gal Costa – Brilho de Beleza (1990)
Celso Bahia – 2 Neguinhos (1988)
Simone Moreno – A Terra Tremeu (1994)
Daniela Mercury – Swing da Cor (1992)
Luiz Caldas – Ajayô (1986)
Gilberto Gil – Axé Babá (1981)
Moraes Moreira – Chão da Praça (1979)

Caetano Veloso – Atrás do Trio Elétrico (1969)
Gal Costa – Deixa Sangrar (1971)
Daniela Mercury, Bloco Afro Pop Vulcão da Liberdade – Por Amor ao Ilê (1994)
Gilberto Gil – Ilê Aiyê (1977)
Ilê Aiyê, Caetano Veloso – Ilê de Luz (1989)
Margareth Menezes – Raça Negra (1993)
Zé Paulo – Feijão com Arroz (1992)
Caetano Veloso, Luiz Melodia – “Vamo” Comer (1987)
Armandinho e Trio Elétrico Dodô e Osmar – Depois Que o Ilê Passar (1987)
Daniela Mercury – O Mais Belo dos Belos (A Verdade do Ilê) / O Charme da Liberdade (1992)

Ytthamar Tropicália & Paulo Axé – Canto Para o Senegal (2018)
Olodum – Canto do Pescador (1991)
Cheiro de Amor – Rebentão (1990)
Moraes Moreira – Eu Sou o Carnaval (2012)
Margareth Menezes – Rataplam (1995)
Olodum – Cartão Postal (1994)
Ara Ketu – Ara Ketu Bom Demais (1994)
Bamdamel – Crença e Fé (1991)
Gilberto Gil – Patuscada de Gandhi – Afoxé Filhos de Gandhi (1977)
Caetano Veloso – Badauê (1977)
Baby do Brasil – Salve, Salve (1981)

*com Ytthamar Tropicália & Paulo Axé na Deezer

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Balanço do norte

Balanço do norte

São 50 músicas com alguns dos ritmos dançantes do norte do Brasil, principalmente do Pará.

O maior desafio foi fazer uma lista que incluísse músicas que fizeram muito sucesso em todo o Brasil, como as duas da Banda Calypso, o Tic Tic Tac do Carrapicho ou o Beto Barbosa e outras pouco conhecidas, mas com uma estética parecida com o que tocava nas rádios populares na mesma época em que foram gravadas.

Aliás, esse segundo grupo está entre as coisas que mais me deixam entusiasmado em conhecer, mesmo que tardiamente. Uma vontade de fuçar mais no Spotify e procurar por artistas e ritmos diferentes do norte veio quando conheci, por acaso, a Banda Warilou.

Faltam várias batidas mais novas, um mergulho no brega – que tem tudo pra me apaixonar – ou até mais artistas além do Pará, mas acho que cada tema merece uma nova pesquisa e sua própria playlist.

O que tem?

Pinduca – Vamos Farrear (1974)
Dona Onete – Carimbó Arrepiado (2019)
Os Muiraquitans – A Misturada (1976)
Mestre Curica – Carimbó no Estrangeiro (2011)
Mestre Vieira – Guitarrada Magnética (2010)
Teixeira de Manaus – Balanço do Norte (1987)
Aldo Sena – Lambada Complicada (1983)
Magalhães e Sua Guitarra – Xangô (1986)
Carlos Santos – O Remador (1982)
Felipe Cordeiro – Lambada Alucinada (2013)

Gaby Amarantos – Merengue Latino (2012)
Felix Robatto – A Gente Chama de Lambada (2016)
Vieira e Seu Conjunto – Rei da Lambada (1990)
Banda Nova – Princesa (1997)
Banda Warilou – Warilou (1990)
Banda Calypso – Isso é Calypso (2005)
Manoel Cordeiro – Cumbia da Simone (2015)
Dona Onete – Mexe Mexe (2019)
Pinduca – A Bailar a Comantchera (1974)
Mestre Cupijó e Seu Ritmo – Mambo do Martelo (2007)

Gonzaga Blantez – Curió do Bico Doce (2017)
Lia Sophia – Ai Menina (Versão Original) (2012)
Pinduca – Bala de Rifle (1974)
Fafá de Belém – Siriá – Salve Mestre Cupijó (2002)
Teixeira de Manaus – Balançando com o Sax (1983)
Mestre Cupijó e Seu Ritmo – Mingau de Açaí (2014)
Dona Onete – Jamburana (2013)
Mestre Curica – Menina Trepadeira (2017)
Fafá de Belém – Carimbó – Homenagem ao Mestre Verequete (2002)
Pinduca – Dança do Carimbó (1975)

Ely Farias – Carimbó do Pará (1976)
Aldo Sena – Melô dos Sessenta (1983)
Oseas – Sacudindo a Moçada (1983)
Lia Sophia – Sinhá Pureza (2021)
Cronixta, Felipe Cordeiro – O Som da Floresta (2022)
Carrapicho – Tic Tic Tac (ao vivo) (2019)
Vieira e Seu Conjunto – Melô do Gavião (1990)
Nazaré Pereira – Lua, Luar (1988)
Sancari – O Som Que Vem do Norte (2015)
Silvan Galvão – Chá de Carimbó (2018)

Dona Onete – No Meio do Pitiú (2016)
Banda Fruta Quente – Festa de Carimbó (1993)
Banda Nova – A Dança do Carimbó (1996)
Mahrco Monteiro, Dora – Chamegoso (1985)
Jorge Cardoso – Lambada do Amapá (1987)
Teixeira de Manaus – Lambada do Amazonas (1990)
Carrapicho – Trem de Marrakesh (ao vivo) (2019)
Banda Calypso – Dançando Calypso (1999)
Beto Barbosa – Dance e Balance com BB (1990)
Aldo Sena – Lambada Classe A (2013)

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Um pé no mato

Um pé no mato

Uma brincadeira que tem acontecido nas playlists que tenho feito desde que voltei a postar aqui é criar trilhas sonoras para situações ou contextos que não necessariamente são íntimos meus ou até reais. Isso é nítido e escrachado num Silvio Santos de férias, mas também aparece nessa seleção de canções brasileiras bucólicas e/ou com temática rural.

Passei a vida toda em São Paulo, nunca nem viajei muito para o interior e ainda gosto mais de ambientes urbanos que rurais. E não é que escutar me deu uma sensação de aconchego, uma nostalgia de uma infância no interior que nem vivi?

Não sei se pode causar as mesmas sensações em quem teve essa vivência, mas essa é a intenção – independentemente de onde você cresceu ou vive.

Por ser uma sequência calminha e com variações sutis de ritmos, pensei em 20 faixas, ou pouco mais de uma hora de música. Ouvindo antes de postar, surgiu uma 21ᵃ: “O Portão”, do Roberto Carlos, pelo tema de volta pra casa que persiste nas últimas letras.

O que tem?

Elis Regina – Casa no Campo (1972)
Sá & Guarabyra – Marimbondo (1977)
Chitãozinho & Xororó – No Rancho Fundo (1989)
Almir Sater – Um Violeiro Toca (1989)
Maria Bethânia – Tocando em Frente (1990)
Caetano Veloso – Canto do Povo de Um Lugar (1975)
Marisa Monte, Devendra Banhart, Rodrigo Amarante – Nu Com a Minha Música (2011/2016)
Beto Guedes – Amor de Índio (1978)
Ceumar, Webster dos Santos, Pedro Macedo, Thomas Rohrer, Carlos Ranoya, Luis Carlos Faria – Dindinha (2000)
Boca Livre – Quem Tem a Viola (Cecilia) (1979)
Elis Regina – Quero (1976)
Sá, Rodrix e Guarabyra – Crianças Perdidas (1972)
Paulinho Pedra Azul – Jardim da Fantasia (1982)
Almir Sater – Trem do Pantanal (1982)
Fagner – Canteiros / Músicas Incidentais: Na Hora do Almoço / Águas de Março (ao vivo) (2000)
Fátima Guedes – Cheiro de Mato (1980)
Jair Rodrigues, Chitãozinho & Xororó – Majestade, o Sabiá (1985)
Elba Ramalho – De Volta Pro Aconchego (1985)
Chitãozinho & Xororó – Fogão de Lenha (1987)
Zezé di Camargo & Luciano – No Dia em Que Eu Saí de Casa (ao vivo) (2005)
Roberto Carlos – O Portão (1974)

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Silvio Santos de férias

Silvio Santos de férias

Deixando de lado as discussões sobre a figura controversa que Silvio Santos se tornou – ou que sempre foi? –, essa playlist é uma grande brincadeira com a figura do Silvio Santos de férias, ou da imagem desse senhor aqui:

Silvio Santos de férias
Reprodução

Que lugar parece mais apropriado pra receber Silvio Santos nas férias? Um resort? Um cruzeiro? Um cassino? Não sei, mas imagino um lugar com várias opções de drinks com guarda-chuvinha de enfeite.

E se Silvio Santos fosse o DJ desses lugares que supostamente frequenta nas férias, como já agiu várias vezes na sua emissora? Essa é a ideia!

São 30 músicas numa mistura maluca que eu adorei ouvir. Têm reprises de Azúcar Moreno e Gipsy Kings.

Também têm duas músicas que foram tema de abertura de atrações antigas do SBT: “Hot Hot Hot”, do programa homônimo apresentado pelo próprio Silvio Santos entre 1994 e 1995, e “Il Boat Del Mambo”, abertura do “Cocktail”, game show erótico com Miele exibido entre 1991 e 1992 – que, por sua vez, era cópia de um programa italiano, o “Colpo Grosso”, que usava a mesma música e tinha abertura extremamente similar.

Isso merece até a comparação. A estética também tem tudo a ver com a playlist.

Abertura Colpo Grosso (1990)

Abertura Cocktail (1991)

O que tem?

Barry Manilow – Copacabana (At The Copa) (1978)
Trio Rio – New York-Rio-Tokyo (1986)
Gloria Estefan, Miami Sound Machine – Conga (1985)
Arrow – Hot Hot Hot (1983)
La Compagnie Créole – C’est Bon Pour Le Moral (1983)
Gretchen – Do You Like Boom Boom? (1987)
Trio Los Angeles – Vamos Dançar Mambolê (1982)
Thalía – Piel Morena (1995)
Los Del Río – Macarena (Bayside Boys Remix) (1995)
Rouge – Ragatanga (Aserejé) (2002)
Azúcar Moreno – Solo Se Vive una Vez (1996)
Braga Boys – A Bomba (La Bomba) (2000)
Aldo Malinverni, Celeste Laudisio, Maurizio Filippi, Diego Michelon – Il Boat Del Mambo – Sigla TV Colpo Grosso (1990)
Charles D. Lewis – Soca Dance (1990)
Banana Split – Dance e Balance (1990)
Kaoma – Lambada (Chorando Se Foi) (1989)
Banda Warilou – Warilou (1990)
Gipsy Kings – Bamboléo (1987)
Celia Cruz – Sazón (1993)
Pérez Prado – Que Rico el Mambo (1950)
Lou Bega – Mambo No. 5 (A Little Bit Of…) (1999)
Azúcar Moreno – Tequila (2001)
The Shorts – Comment Ça Va (1983)
Bom Bom – Vamos a La Playa (1984)
Raffaella Carrà – Hay Que Venir Al Sur (Tanti Auguri) (1978)
Santa Esmeralda – Don’t Let Me Be Misunderstood – Radio Edit (1977)
Gipsy Kings – Volare (Nel Blu di Pinto di Blu) (1989)
Los Manolos – Amigos Para Siempre (1992)
Hues Corporation – Rock The Boat (1973)
Village People – In the Navy (1979)

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Depois da chuva

Depois da chuva


Antes de qualquer coisa, quero enfatizar que a referência de chuva daqui não tem nada a ver com as tempestades que a gente tem visto nas últimas semanas e que têm causado tantas perdas em algumas cidades. Obviamente, não sou a pessoa que está escolhendo música para tragédia. É óbvio, mas não custa reforçar.


Sabe aquele clima que fica logo depois de uma chuva de verão? Aquele dia com cheiro de chuva, o céu meio cinza ou com sol tímido, mas aquele clima que já permite arriscar a sair de casa? Essa é a imagem que me fez pensar em uma trilha sonora.

Seja a chuva literal que tem em todo verão ou essa tempestade que o mundo tem passado desde 2020, associei a imagem do pós-chuva com a ideia de recomeço e/ou mudança. Muitas das letras falam disso, ainda que não obrigatoriamente.

São 30 músicas e uma mistura de rock com pitadas de brasilidade e de batidas eletrônicas. Têm reprises de Gilberto Gil, Rodrigo Amarante e David Byrne.

O que tem?

Bon Entendeur, Isabelle Pierre – Le Temps Est Bon (2019)
Gilberto Gil – Ê, Povo, Ê (1975)
The Cranberries – Dreams (1993)
TootArd – Sahra (2017)
Arcade Fire – Everything Now (2017)
Edward Sharpe & The Magnetic Zeros – Home (2019)
Little Joy – The Next Time Around (2008)
Fatboy Slim – Praise You (1998)
Goldfrapp – Happiness (single version) (2008)
Phoenix – If I Ever Feel Better (2000)
The The – That Was The Day (1993)
David Byrne – Like Humans Do (2001)
The Strokes – Machu Picchu (2011)
Parcels – Tieduprightnow (2018)
Gilberto Gil – Parabolicamará (1991)
Talking Heads – (Nothing But) Flowers (1988)
Grand Bazaar – Dervixe Maria (2016)
Marisa Monte, Rodrigo Amarante – O Que Se Quer (2011)
Bibio – Rotten Rudd (2009)
Primal Scream – It’s Alright, It’s OK (2013)
Pato Fu – Coração Tranquilo (Houve Uma Vez Dois Verões) (2002/2022)
The Polyphonic Spree – Section 12 (Hold Me Now) (2004)
The Flaming Lips – Yoshimi Battles the Pink Robots (2002)
CAKE – The Guitar Man (2004)
Portugal. The Man – The Sun (2009)
Fleetwood Mac – Dreams (1977)
Novos Baianos – Cosmos e Damião (1973)
Of Monsters and Men – Lakehouse (2012)
Richie Havens – Here Comes The Sun (1972)
Itamar Assumpção, Mari, Paulo Barnabé, Rondó, Luiz – Nega Música (1980)

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