Pra fazer uma continuação da lista da semana passada, pensei numa coisa mais vespertina, que remetesse à viagem de volta – colocando o volume 1 como a viagem de ida para a praia.
Nessa versão, o rock alternativo está mais concentrado no lado A, que também concentra mais gravações do início dos anos 2000 e traz até uma pitadinha de punk, além daqueles elementos do “rock de verão” que já estavam na primeira versão.
Não preciso repetir o motivo de ter restringido as postagens daqui em 2023 aos sets que fiz na Casa Lúpulo e, entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, nem isso.
Apesar de já ter pensado em postar os sets desse período, a postagem da Juliana no começo do ano, relembrando a nossa festa na virada de 2023 pra 2024 aqui em casa, reforçou isso.
O meu set de 30/12/2023 tem a energia do final do primeiro parágrafo do post da Juliana: “bebemos e celebramos como se aquela noite se desenlaçasse das outras – fosse um refúgio, um presente, uma praça onde acampar”.
Uma seleção que se inicia com “O Amanhã”, canção da Simone cantada pelos Doutores da Alegria em uma das internações da minha mãe, e traz injeções de otimismo em letras como “Saúde”, “Boas Vindas”, “Barato Total”, “Figa de Guiné”, “Besta é Tu”, Tomara”, “Ilumina”, além da clássica – nas minhas playlists de réveillon – “Com Qualquer Dois Mil Réis” – só que com um misto de esperança e apreensão inéditos.
A descrição – sal grosso pra 2024 – foi daquele dia, também baseado num post do Instagram da Casa Lúpulo, com a minha mãe jogando sal grosso no bar.
É isso. A dor ainda é imensa, a ausência e a saudade foram avassaladoras nesta virada pra 2025, mas rever as fotos da nossa festa no final de 2023 e ouvir essa seleção já dão uma noção maior da beleza e do privilégio que foi viver esses momentos, sem sobressair só a tristeza do luto.
Reforçando uma coisa pro pessoal mais jovem, que talvez nem esteja aqui: quando eu era criança, nos longínquos anos 80, lugar de ouvir música era o rádio – e, dependendo da região, nem tinha tanta opção assim. Nas viagens para o litoral norte de SP, só existiam duas emissoras: a Beira Mar FM de São Sebastião (atual Rede Aleluia – a Beira Mar continua em Ubatuba) e a Morada FM, que segue tocando tudo quanto é novidade* em 95,5 MHz.
Algo que tocava nelas e que me remete muito àquela época é o que eu chamo de “rock de verão”: rock australiano e californiano misturados com uma surf music revisitada dos anos 80/90, alguns one-hit wonders, um hard rock solar de propaganda de cigarro** e um tiquinho de new wave. Uma coisa que hoje pode até ter uma vibe meio “tiozão classic rock”, mas sem nenhum ranço autoritário/reacionário.
A lista de hoje é o volume 1 porque não queria extrapolar o tempo de uma fita de 90 minutos. Semana que vem tem volume 2.
Em tempo: pra ficar mais retrô ainda, o Lado B é diferente do Lado A e traz indie rock à mistura e até duas faixas mais “novas” (dos anos 2000 – duas décadas atrás). A referência radiofônica, nesse caso, muda para uma rádio paulistana já citada aqui algumas vezes: a Brasil 2000 FM.
* um adendo porque meu primeiro parágrafo é uma deixa pra alguém dizer que “hoje só tem porcaria no rádio”. Todas as músicas dessa lista têm mais de 30 anos. Na década de 80, música lançada há mais de 30 anos era música dos anos 50. Então seu tio que, naquela época, ouvia Nelson Gonçalves, Celly Campello ou Francisco Alves já devia achar uma porcaria tudo o que tocava no rádio. Sorte nossa que hoje existe mais acesso e todo mundo pode escutar o que quiser na plataforma que preferir. 😉
** sobre as trilhas de propaganda de cigarro dos anos 80, um spoiler: vai ter playlist específica disso por aqui ainda neste verão.
Dia 28/12 foi o último dia de expediente da Casa Lúpulo em 2024 e resolvemos dar uma festa de despedida do ano.
Difícil falar em festa para se despedir do pior ano da nossa vida, mas convidar o público do bar, tão excepcionalmente amoroso, para agradecer pelo cuidado, presença e carinho que teve com a gente em 2024 era uma das nossas motivações mais genuínas.
Tinha postado aqui, no mesmo dia, uma playlist para essa virada de ano, mas não repeti a seleção – achei menos festiva do que a ocasião pedia. Preferi fazer outro set naquele momento, de improviso.
E, ouvindo agora, acho que ele também reflete bem o momento.
Compartilho aqui e aproveito pra dizer que, durante este mês de janeiro, toda quinta vai ter um set que toquei na Casa Lúpulo entre o final de 2023 e o início de 2024 – e que ainda não tinha postado no Toca fitas – pra você salvar no Spotify.
Solar e brasileira. Era assim que eu queria que fosse a primeira playlist do ano.
Desde 2014, essa combinação está entre as coisas que eu mais posto porque sempre esteve entre as coisas que eu mais escuto. Se o meu desafio para a última lista de 2024 era pensar numa trilha sonora que fizesse sentido pra mim nessa virada de ano específica, a primeira de 2025 tinha a intenção de parecer com o Toca fitas.
E foi assim. Uma horinha com cara de manhã ensolarada, de verão, de música que eu coloquei no pen drive que mora no carro do meu pai. Música sem prazo de validade e com uma essência leve e positiva, mas que não ri por tudo e/ou pra tudo.