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Furta-cor

Furta-cor

Se você passou dos 35 anos, é bem provável que tenha tido contato com coletâneas de sucessos radiofônicos em LP. Elas vendiam muito, até porque muito pouca gente tinha dinheiro/espaço pra comprar os álbuns de todos os artistas que tocavam no rádio – e ninguém tinha acesso a música por outras formas que não rádio/TV e mídia física.

Acontece que, por se tratarem de sucessos *do momento*, a coisa mais difícil é encontrar, hoje, um disco que tenha só músicas que resistiram ao tempo. E isso acaba se tornando uma das coisas mais interessantes dessas coletâneas, pelo menos pra mim.

A ideia aqui era simular isso, mesmo numa seleção que tem dez anos de gravações (1981/1991): um ou outro clássico, alguns one-hit wonders e outros artistas que até tiveram mais de um hit, mas que acabaram esquecidos pela maioria das pessoas.

E, pra completar, um clima muito específico de hits dos anos 80. Cara de trilha de novela, de Lado B dessas coletâneas, de VHS com clipes de baixo orçamento gravados ao ar livre em finais de tarde cinzentos.

Uma viagem inusitada que vale uma horinha de escuta.

Furta-cor - Lado A
Furta-cor - Lado B

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Toca fitas na Casa Lúpulo – Carnaval 2025

Toca fitas na Casa Lúpulo - Carnaval 2025

Nem tinha pensado em postar o set que fiz na sexta-feira passada, véspera de carnaval, para a Casa Lúpulo, porque achei que ele não teria nada de tão inédito, já que foi inspirado tanto na playlist Carnaval da Casa Lúpulo, que tem 200 músicas e mais de 11 horas e meia de duração, quanto nas várias outras playlists desses 11 anos de Toca fitas que foram pensadas para o carnaval.

Mas achei que ele ficou tão gostosinho e tão organicamente fluido que merece ser guardado não só no Spotify, mas como post daqui, até porque é o registro inicial desse carnaval tão singular, depois de um período tão duro e tão transformador entre o final do último carnaval e o início deste.

Passado o feriado, posso dizer que, pra mim, continuar dando espaço para a festa no formato que eu mais gosto – ocupando as ruas – significou extravaso e expurgo, mas também resistência. A vida é dura, mas bonita.

E a lista merece seu play. São 70 músicas e 4h20 de uma seleção livre, diversa e apropriada pra qualquer carnaval, pré e pós.

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Lincoln Olivetti: mago

Lincoln Olivetti: mago

2025 marca uma década sem Lincoln Olivetti por aqui.

O lendário maestro, compositor e arranjador foi um dos maiores responsáveis, especialmente entre o final dos anos 70 e a primeira metade dos anos 80, pela criação de uma sonoridade pop na música brasileira construída a partir da mistura inconfundível de metais e baixo destacados com teclado, bateria eletrônica e sintetizador.

Essa estética, ao mesmo tempo em que conversava com o que existia de mais sofisticado na indústria daquela época, formatava uma música pop bem brasileira: solar, “carnavalizável”, cintilante, diversa – e que, mais de quarenta anos depois, soa, ao mesmo tempo, tão deliciosamente datada quanto atemporal.

A proposta da playlist de hoje é uma imersão de 90 minutos nessa estética.

Em tempo: todas as faixas têm arranjos do Lincoln Olivetti, com exceção de “Realce”, do Gilberto Gil – no álbum do mesmo nome, ele fez o arranjo de cordas de “Não Chore Mais”. Coloquei aqui porque, pra além da ficha técnica, predomina muito a sonoridade que ele “inventou”. É só ver a semelhança entre “Realce” e “Chega Mais”, essa sim com arranjo dele, que vem na sequência.

Lincoln Olivetti: mago - Lado A
Lincoln Olivetti: mago - Lado B

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Navio da Alpha FM

Navio da Alpha FM

Você já imaginou o que tocaria num cruzeiro promovido pela Alpha FM? Não falo sobre as bandas que poderiam se apresentar ao vivo, mas sobre o que tocaria durante o dia, entre atividades na piscina, cascatas de camarão e open bar. Foi pensando nisso que fiz a playlist de hoje.

Um parêntese: adoro programação musical de rádio. Não sei se todo mundo sabe, mas o Toca fitas nasceu por causa do curso de programação musical – era pra ser um tipo de portfólio com exemplos de sequências pra emissoras de estilos diferentes; eu que me empolguei e tô aqui há mais de uma década postando playlist. / fecha o parêntese

Toda rádio tem repetição de música, nem tem como não ter. Mas, não sei se você já reparou no modelo de repetição em emissoras de grande audiência desse estilo adulto-contemporâneo, que é o caso da Alpha. Como elas costumam ficar sintonizadas o dia inteiro em escritórios, consultórios, lojas, restaurantes (etc.), controlam a execução de canções excessivamente marcantes pra que a repetição soe menos cansativa.

Por exemplo: se você ouvir duas vezes no dia “My Heart Will Go On”, da Céline Dion, ou “I Will Always Love You”, da Whitney Houston, a programação vai parecer muito mais repetitiva do que se tocar duas vezes “Just Another Day”, do Jon Secada, ou “You Gotta Be”, da Des’ree, que são canções mais “flat”.

Dito isso, volto pro primeiro parágrafo: programação musical com características da Alpha FM, só que voltada pra esse cenário do cruzeiro.

Claro que têm umas subversõezinhas:

  • Músicas de sonoridade semelhante estão aparecendo na sequência, como é comum num set, mas incomum numa programação de rádio;
  • Sem o shuffle, tem uma brincadeira com o Lado A ser mais matutino e o Lado B mais vespertino/noturno;
  • Só flashbacks, pra deixar a lista mais atemporal – afinal de contas, muita coisa muda no repertório dessas rádios no decorrer dos anos, mas alguns flashbacks permanecem.

Pra completar, têm ambiência de água e canto de pássaros logo no começo, maioria de letras contemplativas e um final apoteótico com “Lilás”, do Djavan, única 100% em português – “Only a Dream in Rio” também tem um trecho em português e participação de músicos brasileiros, como o Airto Moreira na percussão.

Se você ouve rádios como a Alpha, tem tudo pra gostar dessa viagem.

Navio da Alpha FM - Lado A
Navio da Alpha FM - Lado B

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Cigarette daydreams

Cigarette daydreams

Eu nasci em 1982. Quando era criança, brincava com os meus primos de Stop! e uma categoria obrigatória era a de marcas de cigarro. Também já tinha ideia de que cigarro fumaria quando fosse adulto (simpatizava com Carlton – um raro prazer – e Lucky Strike). 

Pelo menos para a minha geração, que acompanhou o fim dos cigarrinhos de chocolate da também extinta Pan e a primeira inclusão, ainda bem discreta, da inscrição “O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde” no final dos anúncios e na lateral das embalagens, muito da popularidade do cigarro era por causa de uma marca que eu nem pensava em fumar: Hollywood, que misturava tabagismo com música.

Os comerciais de Hollywood traziam hits do momento – Pop, New Wave e Hard Rock – com imagens que reforçavam a ligação da marca com juventude, prática de esportes, otimismo, pertencimento, uma masculinidade não tão retrô quanto a do Marlboro e um sentimento de carpe diem.

A playlist de hoje, ilustrada pelo cigarrinho da Pan, é um compilado de músicas que estiveram nessas propagandas dos cigarros Hollywood nos anos 80.

Cigarette daydreams - Lado A
Cigarette daydreams - Lado B

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