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Um pé no mato

Um pé no mato

Uma brincadeira que tem acontecido nas playlists que tenho feito desde que voltei a postar aqui é criar trilhas sonoras para situações ou contextos que não necessariamente são íntimos meus ou até reais. Isso é nítido e escrachado num Silvio Santos de férias, mas também aparece nessa seleção de canções brasileiras bucólicas e/ou com temática rural.

Passei a vida toda em São Paulo, nunca nem viajei muito para o interior e ainda gosto mais de ambientes urbanos que rurais. E não é que escutar me deu uma sensação de aconchego, uma nostalgia de uma infância no interior que nem vivi?

Não sei se pode causar as mesmas sensações em quem teve essa vivência, mas essa é a intenção – independentemente de onde você cresceu ou vive.

Por ser uma sequência calminha e com variações sutis de ritmos, pensei em 20 faixas, ou pouco mais de uma hora de música. Ouvindo antes de postar, surgiu uma 21ᵃ: “O Portão”, do Roberto Carlos, pelo tema de volta pra casa que persiste nas últimas letras.

O que tem?

Elis Regina – Casa no Campo (1972)
Sá & Guarabyra – Marimbondo (1977)
Chitãozinho & Xororó – No Rancho Fundo (1989)
Almir Sater – Um Violeiro Toca (1989)
Maria Bethânia – Tocando em Frente (1990)
Caetano Veloso – Canto do Povo de Um Lugar (1975)
Marisa Monte, Devendra Banhart, Rodrigo Amarante – Nu Com a Minha Música (2011/2016)
Beto Guedes – Amor de Índio (1978)
Ceumar, Webster dos Santos, Pedro Macedo, Thomas Rohrer, Carlos Ranoya, Luis Carlos Faria – Dindinha (2000)
Boca Livre – Quem Tem a Viola (Cecilia) (1979)
Elis Regina – Quero (1976)
Sá, Rodrix e Guarabyra – Crianças Perdidas (1972)
Paulinho Pedra Azul – Jardim da Fantasia (1982)
Almir Sater – Trem do Pantanal (1982)
Fagner – Canteiros / Músicas Incidentais: Na Hora do Almoço / Águas de Março (ao vivo) (2000)
Fátima Guedes – Cheiro de Mato (1980)
Jair Rodrigues, Chitãozinho & Xororó – Majestade, o Sabiá (1985)
Elba Ramalho – De Volta Pro Aconchego (1985)
Chitãozinho & Xororó – Fogão de Lenha (1987)
Zezé di Camargo & Luciano – No Dia em Que Eu Saí de Casa (ao vivo) (2005)
Roberto Carlos – O Portão (1974)

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Silvio Santos de férias

Silvio Santos de férias

Deixando de lado as discussões sobre a figura controversa que Silvio Santos se tornou – ou que sempre foi? –, essa playlist é uma grande brincadeira com a figura do Silvio Santos de férias, ou da imagem desse senhor aqui:

Silvio Santos de férias
Reprodução

Que lugar parece mais apropriado pra receber Silvio Santos nas férias? Um resort? Um cruzeiro? Um cassino? Não sei, mas imagino um lugar com várias opções de drinks com guarda-chuvinha de enfeite.

E se Silvio Santos fosse o DJ desses lugares que supostamente frequenta nas férias, como já agiu várias vezes na sua emissora? Essa é a ideia!

São 30 músicas numa mistura maluca que eu adorei ouvir. Têm reprises de Azúcar Moreno e Gipsy Kings.

Também têm duas músicas que foram tema de abertura de atrações antigas do SBT: “Hot Hot Hot”, do programa homônimo apresentado pelo próprio Silvio Santos entre 1994 e 1995, e “Il Boat Del Mambo”, abertura do “Cocktail”, game show erótico com Miele exibido entre 1991 e 1992 – que, por sua vez, era cópia de um programa italiano, o “Colpo Grosso”, que usava a mesma música e tinha abertura extremamente similar.

Isso merece até a comparação. A estética também tem tudo a ver com a playlist.

Abertura Colpo Grosso (1990)

Abertura Cocktail (1991)

O que tem?

Barry Manilow – Copacabana (At The Copa) (1978)
Trio Rio – New York-Rio-Tokyo (1986)
Gloria Estefan, Miami Sound Machine – Conga (1985)
Arrow – Hot Hot Hot (1983)
La Compagnie Créole – C’est Bon Pour Le Moral (1983)
Gretchen – Do You Like Boom Boom? (1987)
Trio Los Angeles – Vamos Dançar Mambolê (1982)
Thalía – Piel Morena (1995)
Los Del Río – Macarena (Bayside Boys Remix) (1995)
Rouge – Ragatanga (Aserejé) (2002)
Azúcar Moreno – Solo Se Vive una Vez (1996)
Braga Boys – A Bomba (La Bomba) (2000)
Aldo Malinverni, Celeste Laudisio, Maurizio Filippi, Diego Michelon – Il Boat Del Mambo – Sigla TV Colpo Grosso (1990)
Charles D. Lewis – Soca Dance (1990)
Banana Split – Dance e Balance (1990)
Kaoma – Lambada (Chorando Se Foi) (1989)
Banda Warilou – Warilou (1990)
Gipsy Kings – Bamboléo (1987)
Celia Cruz – Sazón (1993)
Pérez Prado – Que Rico el Mambo (1950)
Lou Bega – Mambo No. 5 (A Little Bit Of…) (1999)
Azúcar Moreno – Tequila (2001)
The Shorts – Comment Ça Va (1983)
Bom Bom – Vamos a La Playa (1984)
Raffaella Carrà – Hay Que Venir Al Sur (Tanti Auguri) (1978)
Santa Esmeralda – Don’t Let Me Be Misunderstood – Radio Edit (1977)
Gipsy Kings – Volare (Nel Blu di Pinto di Blu) (1989)
Los Manolos – Amigos Para Siempre (1992)
Hues Corporation – Rock The Boat (1973)
Village People – In the Navy (1979)

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Depois da chuva

Depois da chuva


Antes de qualquer coisa, quero enfatizar que a referência de chuva daqui não tem nada a ver com as tempestades que a gente tem visto nas últimas semanas e que têm causado tantas perdas em algumas cidades. Obviamente, não sou a pessoa que está escolhendo música para tragédia. É óbvio, mas não custa reforçar.


Sabe aquele clima que fica logo depois de uma chuva de verão? Aquele dia com cheiro de chuva, o céu meio cinza ou com sol tímido, mas aquele clima que já permite arriscar a sair de casa? Essa é a imagem que me fez pensar em uma trilha sonora.

Seja a chuva literal que tem em todo verão ou essa tempestade que o mundo tem passado desde 2020, associei a imagem do pós-chuva com a ideia de recomeço e/ou mudança. Muitas das letras falam disso, ainda que não obrigatoriamente.

São 30 músicas e uma mistura de rock com pitadas de brasilidade e de batidas eletrônicas. Têm reprises de Gilberto Gil, Rodrigo Amarante e David Byrne.

O que tem?

Bon Entendeur, Isabelle Pierre – Le Temps Est Bon (2019)
Gilberto Gil – Ê, Povo, Ê (1975)
The Cranberries – Dreams (1993)
TootArd – Sahra (2017)
Arcade Fire – Everything Now (2017)
Edward Sharpe & The Magnetic Zeros – Home (2019)
Little Joy – The Next Time Around (2008)
Fatboy Slim – Praise You (1998)
Goldfrapp – Happiness (single version) (2008)
Phoenix – If I Ever Feel Better (2000)
The The – That Was The Day (1993)
David Byrne – Like Humans Do (2001)
The Strokes – Machu Picchu (2011)
Parcels – Tieduprightnow (2018)
Gilberto Gil – Parabolicamará (1991)
Talking Heads – (Nothing But) Flowers (1988)
Grand Bazaar – Dervixe Maria (2016)
Marisa Monte, Rodrigo Amarante – O Que Se Quer (2011)
Bibio – Rotten Rudd (2009)
Primal Scream – It’s Alright, It’s OK (2013)
Pato Fu – Coração Tranquilo (Houve Uma Vez Dois Verões) (2002/2022)
The Polyphonic Spree – Section 12 (Hold Me Now) (2004)
The Flaming Lips – Yoshimi Battles the Pink Robots (2002)
CAKE – The Guitar Man (2004)
Portugal. The Man – The Sun (2009)
Fleetwood Mac – Dreams (1977)
Novos Baianos – Cosmos e Damião (1973)
Of Monsters and Men – Lakehouse (2012)
Richie Havens – Here Comes The Sun (1972)
Itamar Assumpção, Mari, Paulo Barnabé, Rondó, Luiz – Nega Música (1980)

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O Brasil não é só verde anil amarelo

O Brasil não é só verde anil amarelo

A playlist de hoje estava programada para a volta do Toca fitas, depois desse hiato de quase dois anos. A trilha de carnaval da Casa Lúpulo antecipou e me ajudou a parar de adiar.

Resumidamente, parei de fazer playlist nesses dois anos tão atípicos pra todo mundo porque, lá no começo da pandemia e com mais da metade desse governo pela frente, pensar em música me fazia debruçar sobre o que a gente estava vivendo, com todo o medo e a incerteza que eram ainda maiores naquele momento. E isso não estava me fazendo bem.

Gastei boa parte de 2020 fazendo reforma em casa – uma forma de criar perspectiva positiva para um futuro de longo prazo, longe de pandemia – e 2021 cuidando dos problemas que ficaram em casa depois da reforma, num futuro que eu não tinha pensado em 2020: casa pronta, pandemia piorada. E 2021 ainda foi um ano intenso, difícil, cheio de coisas acontecendo.

Mas senti falta do Toca fitas e comecei a fazer playlist de novo, bem aos poucos, sem obrigação de postar. E pensar sobre música voltou a me fazer bem.

Volto com menos pretensões, postando muito mais porque me faz bem do que por vontade de reconhecimento. Se fizer bem pra mais alguém, fico feliz porque faço com amor. Se não, já está fazendo bem pra mim.

Essa despretensão faz com que eu escreva um texto desse tamanho sem me preocupar com o fato dele talvez não ser lido por ninguém, mas também me faz abraçar o meu “recorte”. Não preciso conhecer tudo, gostar de tudo, estar por dentro de tudo. Tenho minhas preferências, meu jeito de contar histórias com as músicas que eu escolho, e posso brincar mais com tudo isso.

A lista de hoje é pra tocar uma coisa que eu adoro: Brasil fazendo música com cara de Brasil e falando de Brasil. E o Brasil não é se resume a essa apropriação verde-amarela provisória feita por gente reacionária, maldosa, preconceituosa, orgulhosa de ser ignorante.

Falta muita gente? Óbvio! É só uma playlist, um convite pra ouvir música boa e pensar um pouco sobre o nosso país com otimismo. Aqui tem um desses “recortes” meus, além de algumas coisas que gosto de colocar nas playlists que faço: letras que se conversam, transições graduais entre ritmos diferentes e essa tentativa de criar uma unidade usando músicas de artistas e álbuns diferentes.

Em tempo: era pra ter 35 músicas, terminando com o ufanismo do Benito di Paula, que repudiou o uso de “Tudo Está no Seu Lugar” por deputado do MDB em 2017 e que não compôs paródia homenageando o presidente que sai no final do ano pra nunca mais voltar. Mas resolvi manter as últimas cinco músicas porque achei que elas formaram uma sequência coerente entre si.

Em tempo (2): desliga o shuffle pelo menos na primeira vez que ouvir. Fica melhor! 🙂

O que tem?

Caetano Veloso – Meu Coco (2021)
Chico Buarque – Paratodos (1993)
Fafá de Belém – Raça (1977)
Nadinho da Ilha – Cabeça Feita (1977)
Alcione – Figa de Guiné (1972)
João Bosco – Nação (1982)
Dorival Caymmi – Eu Não Tenho Onde Morar (1960)
Leci Brandão – Bate Tambor (1991)
Olodum – Revolta Olodum (1989)
Ramiro Musotto – Gwyra Mi (2006)
Illy – Querelas do Brasil (2020)
Caetano Veloso – Pipoca Moderna (1975)
Gilberto Gil – Geleia Geral (1967)
Carlinhos Brown, Marisa Monte – Seo Zé (1996)
Orquestra Brasileira de Música Jamaicana – O Guarani (2010)
Os Paralamas do Sucesso – Outra Beleza (1996)
Arranco de Varsóvia – Força da Imaginação (2006)
Martinho da Vila – Sempre a Sonhar (1984)
Chico Buarque – Vai Passar (1984)
Clara Nunes – Feira de Mangaio (1979)
Luiz Gonzaga – O Fole Roncou (1974)
Maria Bethânia – Festa (1975)
Alceu Valença – Pelas Ruas Que Andei (1982)
Cila do Coco – Movimento da Cidade (1997)
Siba – Toda Vez Que Eu Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar (2007)
Lia de Itamaracá – Eu Sou Lia: Minha Ciranda, Preta Cirandeira (2000)
João do Vale, Amelinha – Estrela Miúda (1981)
Caetano Veloso – Cajuína (1979)
Sá & Guarabyra – Sobradinho (1977)
A Cor do Som – Abri a Porta (1979)
Gilberto Gil – Lente do Amor (1981)
Bossacucanova, Cris Delanno – Balança – Não Pode Parar! (2018)
Trio Mocotó – Os Orixás (2001)
Jorge Ben Jor – Eu Vou Torcer (1974)
Benito di Paula – Charlie Brown (1974)

Alcione – Pra Que Chorar (1977)
Luiz Melodia – Congênito (1976)
Gal Costa – Presente Cotidiano (1973)
Marisa Monte, David Byrne – Statue of Liberty (2006)
Os Mutantes – Ando Meio Desligado (1969)

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Carnaval da Casa Lúpulo

Carnaval da Casa Lúpulo

Eu juro que queria voltar com o Toca fitas, que teve playlists semanais entre 2014 e meados de 2020, com um conteúdo além de texto explicando porque eu parei, quando e porque quis voltar, o que fiz e o que não fiz enquanto não estive por aqui e o que muda daqui pra frente. Tenho até uma playlist pronta pra essa volta.

Mas, entre as coisas que aconteceram nesse período, surgiu a Casa Lúpulo, bar que a minha família abriu na Vila Buarque (centro de São Paulo) e que, com adaptações de formato, era sonho há anos. E surgiu carnaval e o pedido da minha irmã de fazer uma trilha sonora pra tocar nos dias de carnaval enquanto o bar estiver aberto.

E foi o que eu fiz. E estou voltando aqui, do nada, com uma playlist de 200 músicas. Mais de 11 horas de repertório que vão tocar na Casa Lúpulo nesse carnaval 2022 e que eu quis compartilhar com quem quiser tocar em qualquer outro dia e lugar.

Apesar de ser gigante, é uma playlist construída como se fosse pequena, com blocos temáticos, músicas que fazem referência uma a outra na sequência, evitando letras problemáticas e transitando de forma gradual entre vários gêneros.

Pra não ficar só um listão de 200 músicas, vou separar em blocos que ajudam a explicar essa construção sem que eu tenha que fazer mais textão. Também estou deixando a lista de músicas numa página separada pra você não ficar rolando tela infinitamente sempre que cair aqui.

Clique aqui para ver a lista das músicas e os blocos temáticos

E é isso. O Toca fitas tá de volta!

Toca aqui:

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Em tempo: a Casa Lúpulo fica na Rua Major Sertório, 282, Vila Buarque – São Paulo/SP.

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