Sem textão, a playlist de hoje é o meu set do sábado passado, feito pra comemorar os três anos da Casa Lúpulo.
Pensei numa seleção diversamente dançante. Soul, disco, tropicália, rock, samba, samba rock, samba reggae e até um tiquinho de carimbó numa mistura majoritariamente brasileira, mas com inserções orgânicas de música do mundo.
De Sivuca a Madonna, de Roberto Carlos a The Cure, de Arnaldo Antunes a Wando. E dá bom!
Pra cumprir minha promessa e não entrar no textão, pensei em reforçar essa mistura como uma celebração aos encontros.
Há (mais de) três anos, a Casa Lúpulo é um lugar de bons encontros, de mensagens carinhosas no correio elegante do banheiro, de novos amigos e de afetos e histórias reais. É – e nem tem como deixar de ser – parte importante da história da minha família. E acredito que também tem contribuído pra deixar o nosso bairro mais gostoso de viver.
Tenho birra com o Oscar desde 1999, quando “Central do Brasil”, meu filme preferido na vida, perdeu o prêmio de melhor filme estrangeiro para “A Vida é Bela” e Fernanda Montenegro perdeu o de melhor atriz pra Gwyneth Paltrow. Nada contra “A Vida é Bela”, apesar de achar o final meio “montadinho” pra levar prêmio estadunidense, mas dar prêmio de melhor atriz por “Shakespeare Apaixonado” deixou aquilo tão sério como Silvio Santos concorrendo a melhor animador de auditório no Troféu Imprensa.
26 anos depois, (ainda) estamos aqui. De novo com o Walter Salles, dessa vez concorrendo com “Ainda Estou Aqui” como melhor filme internacional – “filme estrangeiro” era olhar tanto pro próprio umbigo quando o Melhores do Ano da Globo, pra não dizer que só falei do Troféu Imprensa – e como melhor filme. E com a Fernanda Torres, que já ganhou o Globo de Ouro, concorrendo como melhor atriz.
Pra completar, ainda tem o fato de ser um filme que, nesse momento de ascensão do fascismo da extrema-direita nos Estados Unidos (e não só lá), expõe o horror que foi a ditadura militar no Brasil no contexto da Guerra Fria. Aí não tem birra que resista!
Na data desse post, 01/02/2025, ainda não se sabe se ela e/ou o filme vão levar os prêmios – se ninguém ganhar, minha birra com o Oscar se renova por mais 26 anos. Independentemente disso, deu vontade de celebrar não só “Ainda Estou Aqui”, mas o cinema brasileiro, com trilhas sonoras de alguns dos meus filmes preferidos.
Com tanto filme bom com música boa, resolvi postar duas playlists de uma vez, trazendo uma maioria de trilhas do cinema da retomada misturada com alguns clássicos da era Embrafilme.
As seleções são diversas como o nosso cinema, então sugiro escutar com o shuffle desligado, se possível. Na fita 2, por exemplo, tem Ara Ketu, Peninha, Chico Buarque, Rita Cadillac, Cartola e Tom Jobim. Pode soar aleatório demais se deixar a sequência na mão do algoritmo!
Em tempo: canções de algumas trilhas icônicas da década de 1980, como “Bete Balanço” e “Menino do Rio” ficaram de fora propositalmente. Elas estarão numa terceira playlist de cinema em breve.
Por mais que eu poste playlist na internet há mais de uma década, a coisa mais difícil do mundo é eu ter uma seleção minha pra indicar quando alguém me pede – até porque morro de vergonha de fazer propaganda do meu próprio trabalho. Mas hoje me permito a exceção.
O segundo set que eu fiz para o aniversário da Casa Lúpulo no ano passado é uma lista curinga de samba. São quase quatro horas que misturam pós-tropicalismo, pré e pós-bossa nova, samba rock, partido alto e outros clássicos do gênero que são (ou não) historicamente definidos como MPB.
É pra salvar e testar num churrasco, quando for fazer uma faxina, quando não tiver nada pra fazer… Ou em qualquer outra situação que um samba caia bem.
Em tempo: neste final de semana, a Casa Lúpulo faz três anos. Vão ser três festas: jazz na sexta, discotecagem no sábado – com set novo meu, que não vou levar um ano pra postar aqui – e samba no domingo. Vem!
Uma das coisas que eu mais gosto em ouvir música no streaming é a facilidade de explorar gêneros, artistas e músicas com uma facilidade que não se compara com nada que a gente tenha vivido antes.
É você se interessar por alguma música que apareceu nas Descobertas da Semana, clicar na rádio dessa música ou no artista e procurar por artistas semelhantes, depois semelhantes desses semelhantes, até ver que passou horas – ou dias – conhecendo música.
A playlist de hoje nasceu desse jeito, a partir do álbum “São Paulo – Brasil”, do Cesar Camargo Mariano, que nem lembro mais como surgiu pra mim. Depois, apareceu a Banda Metalurgia, e achei um artigo sobre bandas de música instrumental da Vanguarda Paulista… E assim fui chegando nesse recorte bem específico: música instrumental de – e/ou inspirada em – São Paulo.
Te convido pra uma viagem inusitada nessa playlist diferentona de aniversário pra São Paulo, que foge (quase que*) completamente dos hinos sobre a cidade.
Em fevereiro do ano passado, fiz dois sets para o aniversário de dois anos da Casa Lúpulo.
O primeiro, que eu posto hoje como parte dos que ficaram de fora do Toca fitas, é da noite de sexta-feira, 02/02/2024, data de aniversário da Casa e dia de Iemanjá.
A conjunção de efemérides aliada ao momento que passávamos naquele início de fevereiro fez com que a seleção, criada naquele momento, fosse quase temática.
São três horas exatas de exaltação não só à rainha do mar, mas também a todos os orixás, a nós mesmos e a tudo que nos une a quem a gente ama – destaque para o final, a partir de “Sorrir e Cantar Como Bahia”.
Assim como disse na semana passada, ouvir essas músicas de novo como retrato daquele momento tem um peso e uma beleza diferentes. É (re)lembrar que, apesar do divisor de águas que foi 2024, nossa história é infinitamente maior. E, com o passar do tempo, é o que há de ficar.