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Corta vento

Corta vento

A playlist de hoje começou a ser construída a partir do nome, que veio de uma divagação. Queria uma trilha sonora que representasse a “função simbólica” dessa roupa que se usa num dia que não tá nem tão quente pra sair sem blusa e nem tão frio pra colocar um casaco pesado. Esse meio termo que acolhe, mas que não limita movimento e nem esquenta demais.

Apesar dessa viagem, a escolha do repertório foi bem despretensiosa. E, mesmo assim, calhou de praticamente todas as letras falarem sobre o tempo – seja na forma de amadurecimento, saudade, mudança ou aceitação – e de tudo estar envolto numa atmosfera de calma, com arranjos e interpretações mais contidos.

Música brasileira é a maioria, mas vez ou outra tem algum gringo aparecendo. E foi aí que tive a única “preocupação” da lista: misturar esse povo como se todos estivessem num mesmo álbum, na mesma época e falando a mesma língua.

Reprises de Ney Matogrosso, Herbert Vianna, Paulinho Moska e Marisa Monte.

Corta vento - Lado A
Corta vento - Lado B

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Rádio relógio

Rádio relógio

A mesma brincadeira com a programação musical de rádios adultas que propus em playlists recentes como Navio da Alpha FM, Aceita um licorzinho? e rush rush, trago aqui pensando num outro momento: o início do dia num dia útil.

Diferente das outras, o repertório daqui é baseado num formato relativamente novo no Brasil: o jovem adulto, adotado por emissoras como Transamérica e Mix (rede), Kboing FM (São José do Rio Preto), 107 FM (Petrópolis e Grande Rio), Estação 104 (região dos lagos – RJ), Interativa (Goiânia/GO) e Beach Park (Fortaleza/CE).

Essas rádios, voltadas a um público das chamadas classes A/B com idade entre 25 e 49 anos, têm plástica mais informal que as adultas “tradicionais” e repertório mais solar, mesclando uma maioria de flashbacks com midbacks de pop e rock – umas puxando mais para o pop, outras mais para o rock.

Aproveitando a deixa do rádio relógio, aqui só tem flashback do século passado (anos 1980 e 1990), numa mistura radiofônica que não necessariamente estabelece conexões entre uma música e a próxima que toca, mas que dão num conjunto bem gostosinho de ouvir.

É fita com cara de fita. Pra acordar como se estivesse nos anos 90.

Rádio relógio - Lado A
Rádio relógio - Lado B

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P.S.: a imagem da capa, com uma simulação “realista” de equipamento eletrônico retrô é uma autorreferência: na minha adolescência, num período em que tive computador, mas ainda não tinha acesso à internet (nem depois da meia-noite), ficava brincando no Paint.

Lembrava de um desenho meu da época, de uma TV com rodinhas pela estrada, cheia de degradês feitos píxel por píxel – era 800 x 600, mas, ainda assim, dava trabalho. E não é que vasculhando um HD externo antigo achei esse desenho?

TV Lenoxx - anos 90

Copo americano

Copo americano

Todo mundo sabe que o copo americano – esse clássico brasileiro que existe desde que muita gente se entende por gente – combina com tudo: qualquer ocasião, qualquer lugar, qualquer hora.

Essa é a ideia da playlist de hoje: música brasileiríssima, especialmente samba, que vai bem em qualquer hora.

São 32 músicas, em uma hora e meia. Leves conversas entre temas ou compositores que se repetem na sequência, um monte de coisa que você já conhece, outras que talvez tenha deixado passar, mas nenhuma muito óbvia ou repetitiva.

Também procurei variar as décadas e os sotaques do samba, equilibrar figuras canônicas com nomes menos óbvios e mesclar, de forma orgânica, vozes femininas e masculinas.

Pra fechar, tem um Lado A mais melódico/romântico e um Lado B mais suingado.

Reprises de Toquinho, Vinícius de Moraes, Martinho da Vila, Cartola e João Gilberto.

Copo americano - Lado A
Copo americano - Lado B

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Comercial de margarina

Comercial de margarina

Depois de tantos anos postando aqui, pode parecer que os temas pra playlists novas vão ficando mais escassos. Ainda tem muita coisa a explorar, mas os temas mais “básicos” geralmente estão nas listas mais antigas. As novas surgem muito pela brincadeira de experimentar temas inusitados, o visual das capas ou novas combinações com músicas já conhecidas. Às vezes, como hoje, é tudo isso junto.

O repertório da seleção de hoje foi se formando com sobras de outras playlists ou até com músicas que já apareceram por aqui, mas que deixei anotadas à parte porque tinham muita “cara de comercial de margarina”.

Pra quem é mais jovem, vale dizer que a instituição “comercial de margarina” marcou a propaganda brasileira do século XX. Famílias tradicionalíssimas (pai, mãe, dois filhos – geralmente um menino e uma menina -, todos brancos), cozinhas bem diferentes das que a maioria das pessoas que consumia margarina tinha em casa e cafés da manhã de novela. Tudo isso com uma atmosfera de felicidade idealizada e fotografia amarelada. Algumas coisas que hoje a gente poderia ver como positividade tóxica.

Mas foi na parte positiva – e não na não tóxica – que eu quis focar aqui. Letras que exaltam simplicidade, otimismo, nostalgia e contemplação. Música gostosa de ouvir pra começar o dia enxergando o lado bom da vida.

Pra completar, um capa de comercial real de margarina, tirada da contracapa de uma edição da revista Manchete dos anos 50 (edição 186, de 1955).

Comercial de margarina - Lado A
Comercial de margarina - Lado B

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Kitsch chic

Kitsch chic

Kitsch ou chique? Tem coisa que se enquadra numa categoria, tem coisa que se enquadra em outra, tem coisa que se enquadra nas duas? Ou nada se enquadra em nada?

Sem a menor pretensão de resposta, a viagem de hoje é essencialmente noturna, social, sensual, com muitas referências sobre paisagens urbanas… e super datada – no melhor sentido.

Arranjos gritando anos 80 e uma maioria de letras sobre flerte e fossa com uma ousadia singela e descolada que só poderia vir de um Brasil que estava prestes a se livrar de décadas de censura – ou recém-livre dela – formam um caldo sonoro que harmonizaria demais com um uísque Natu Nobilis num bar de luz fraca, parede de espelho e letreiro de néon, típico de locação da novela “Vale Tudo” na versão original de 1988.

Reprises de Dulce Quental, Nico Rezende, Vinicius Cantuária, Marina Lima e Cláudio Zoli (uma vez com o Brylho, uma em carreira solo).

Kitsch chic - Lado A
Kitsch chic - Lado B

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