No final de 2023, quando a gente descobriu que a doença da minha mãe tinha se agravado, a Mundo Caielli, uma loja de arte e antiguidades que ficava em frente ao Parque Augusta, estava fechando e eles estavam vendendo uns pacotões com fitas K-7 já gravadas por um preço mínimo. Comprei algumas para regravar.
A ideia, naquele momento em que eu estava numa pausa no Toca fitas, era gravar seleções com músicas que eu gostava e não tinha ainda em mídia física para ouvir principalmente no futuro, quando aquela fase difícil tivesse passado. Era música pra tocar em festa quando a minha mãe estivesse curada.
Ela partiu desse plano e essas fitas não chegaram a ser usadas com esse propósito, mas o processo de gravação com essa intenção foi importante pra mim naquele momento.
Mesmo tendo músicas que eu gosto e que não me canso de ouvir, demorei pra voltar a ouvir as fitas sem associar àquele contexto. Agora, compartilho por aqui com um sentimento de que elas também representam uma conexão entre a vida que tive até março de 2024 e a vida atual.

Essa, especificamente, uma fita Sony japonesa dos anos 70 com 90 minutos de duração e nível baixíssimo de ruído, usei pra gravar clássicos brasileiros que já apareceram muito tanto em playlists minhas quanto em sets que já toquei na Casa Lúpulo. Mas eu já disse que é coisa que não me canso de ouvir, né?
Reprises de Gal Costa, Jorge Ben Jor e A Cor do Som
Em tempo: o imóvel onde ficava a Mundo Caielli já foi demolido: vai virar prédio residencial.



