Êxodo

Apesar de nome + descrição (canções de migrações) serem autoexplicativas, hoje vou de textão, até porque nem todas as letras falam diretamente sobre isso.

A sequência entre “Pavão Mysteriozo” e “Passarinho”, juntas na primeira parte por causa da imagem em comum do voo, são um exemplo. Mesmo sem falar diretamente, elas trazem temas que estão em outras composições sobre migração, como liberdade, autoafirmação e saudade.

Na segunda parte, escolhi colocar “Cajuína”, que foi inspirada num encontro do Caetano Veloso com o pai do Torquato Neto anos depois da morte do poeta, porque não dá pra dizer que tanto a morte quanto o luto não estejam relacionados com passagens que se assemelham a migrações físicas. “Ponta de Areia” reforça a nostalgia da perda e, junto com “Paisagem da Janela”, faz referências à ditadura militar, que já tinham aparecido em “Pavão Mysteriozo”.

No mais, acho que chega a ser até desnecessário dizer que eu trago esse tema pra cá também pra homenagear a minha mãe e a família dela, que vieram da Paraíba pra São Paulo no final dos anos 60, passando muita dificuldade lá e aqui, e que construíram histórias admiráveis nessas décadas.

Tenho muito orgulho de ser duplamente filho da migração, na mistura do meu pai paulistano, filho de um português com uma alagoana, e da minha mãe, nascida numa cidadezinha do sertão da Paraíba pra onde ela acabou nunca mais voltando – e que eu continuo com vontade de conhecer.

Enfim, acredito que parte muito importante da música brasileira ser assim tão potente tem a ver com essa mistura toda que a gente tem por aqui.

Em tempo: juntar Belchior e Caetano Veloso foi de propósito!

Êxodo - Lado A
Êxodo - Lado B

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